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Salário mínimo pode chegar a R$ 1.741 em 2027; veja quem terá aumento e o que muda nos benefícios
Projeção do governo representa alta de R$ 120 sobre o piso atual e poderá alterar aposentadorias, pensões, BPC, abono salarial, seguro-desemprego e contribuições previdenciárias.
O salário mínimo nacional poderá subir dos atuais R$ 1.621 para R$ 1.741 em janeiro de 2027. A nova projeção foi anunciada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, na segunda-feira (24), e deverá constar no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) do próximo ano.
Caso seja confirmada, a mudança representará um aumento nominal de R$ 120 por mês, equivalente a aproximadamente 7,4%. A previsão mais recente também supera em R$ 24 o valor de R$ 1.717 apresentado pelo governo em abril, no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
O valor ainda não está oficialmente definido. A estimativa será utilizada pelo governo para calcular receitas e despesas federais, mas poderá ser modificada até o fim de 2026, conforme o comportamento da inflação.
O piso nacional vigente em 2026, no valor de R$ 1.621, foi estabelecido pelo Decreto nº 12.797/2025 e entrou em vigor no dia 1º de janeiro. Agência Brasil, Presidência da República.
Valor representa aumento de R$ 120
Na comparação com o salário mínimo atual, o trabalhador que recebe o piso passaria a ganhar R$ 120 a mais por mês. Considerando 13 salários anuais, incluindo o 13º salário, o acréscimo nominal seria de R$ 1.560 por ano, sem contar valores relacionados a férias e outros direitos trabalhistas.
Para os trabalhadores com carteira assinada que recebem exatamente um salário mínimo, o reajuste deverá ser aplicado a partir da entrada em vigor do novo piso. Já quem recebe acima do mínimo não terá necessariamente aumento automático de 7,4%, pois o reajuste poderá depender de convenção coletiva, acordo sindical ou contrato de trabalho.
Como é calculado o salário mínimo?
A política de valorização estabelece que o reajuste deve considerar a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), acumulada nos 12 meses encerrados em novembro, somada ao crescimento real do Produto Interno Bruto de dois anos antes.
Entretanto, o ganho acima da inflação está limitado pelas regras fiscais. Para 2027, a projeção considera ganho real de até 2,5%, além da reposição inflacionária.
A legislação também determina que, caso o resultado do cálculo tenha centavos, o valor seja arredondado para o número inteiro imediatamente superior. Lei nº 14.663/2023.
R$ 1.741 ainda é apenas uma projeção
O valor definitivo dependerá principalmente do INPC acumulado até novembro de 2026. Se a inflação ficar acima ou abaixo da estimativa utilizada na elaboração do Orçamento, o salário mínimo poderá ser revisto.
Por isso, os R$ 1.741 não devem ser tratados como valor confirmado. A definição oficial deverá ocorrer em dezembro, por meio de decreto do Poder Executivo, para vigorar a partir de janeiro de 2027.
Quais pagamentos deverão aumentar?
O reajuste do salário mínimo vai além da remuneração dos trabalhadores. O piso nacional também serve como referência para diversos benefícios previdenciários, assistenciais e trabalhistas.
Se a projeção for confirmada, serão diretamente afetados:
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Aposentadorias e pensões do INSS equivalentes a um salário mínimo;
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Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas);
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Seguro-desemprego, cujo valor mínimo acompanha o piso nacional;
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Abono salarial do PIS/Pasep;
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Salário de empregados domésticos que recebem o piso;
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Contribuições previdenciárias calculadas sobre o salário mínimo;
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Contribuição mensal dos Microempreendedores Individuais (MEIs);
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Valores utilizados em alguns benefícios e processos judiciais.
No caso do abono salarial, o pagamento varia conforme a quantidade de meses trabalhados no ano-base, tendo como limite um salário mínimo vigente no momento do pagamento.
Aposentadorias acima do mínimo terão outro reajuste
É importante destacar que nem todos os benefícios do INSS subirão para R$ 1.741. O novo valor será o piso previdenciário destinado a quem recebe um salário mínimo.
Aposentadorias e pensões superiores ao piso são reajustadas pelo INPC, geralmente sem a parcela de aumento real concedida ao salário mínimo. Portanto, esses segurados poderão ter um percentual diferente.
Contribuição do MEI também deverá aumentar
A contribuição mensal do MEI corresponde, em regra, a 5% do salário mínimo para o INSS, acrescida de valores de ICMS ou ISS, conforme a atividade exercida.
Se o piso de R$ 1.741 for confirmado, somente a parcela previdenciária regular passaria para aproximadamente R$ 87,05 por mês. O Documento de Arrecadação do Simples Nacional poderá ter valores adicionais para comércio, indústria ou prestação de serviços.
Outras categorias que recolhem contribuições com base no piso, como segurados facultativos e contribuintes individuais, também poderão ter os pagamentos alterados.
Reajuste aumenta renda, mas pressiona despesas públicas
O aumento real do salário mínimo tende a favorecer principalmente as famílias de renda mais baixa, que normalmente destinam uma parcela maior do orçamento ao pagamento de alimentação, transporte, moradia, medicamentos e outros itens essenciais.
Com mais recursos circulando, o reajuste pode estimular o consumo e movimentar o comércio e os serviços, especialmente nos municípios onde aposentadorias, pensões e benefícios sociais têm peso relevante na economia local.
Por outro lado, a valorização também amplia as despesas do governo, porque milhões de benefícios são vinculados ao piso. Quanto maior o salário mínimo, maior será o volume necessário para custear aposentadorias, pensões, BPC, seguro-desemprego e abono salarial.
Segundo Durigan, o Orçamento de 2027 será elaborado procurando conciliar a manutenção do ganho real para os trabalhadores com o controle do crescimento das demais despesas obrigatórias.
Proposta ainda será analisada pelo Congresso
O PLOA de 2027 deverá ser encaminhado ao Congresso Nacional até 31 de agosto. Deputados e senadores poderão analisar e modificar diferentes pontos da proposta orçamentária antes da votação definitiva.
Mesmo após a tramitação do Orçamento, o salário mínimo continuará sujeito à atualização do INPC. A expectativa é que o valor oficial seja anunciado em dezembro e entre em vigor no dia 1º de janeiro de 2027.
Até lá, permanece válido o piso nacional de R$ 1.621. A recomendação é acompanhar a divulgação oficial, pois os R$ 1.741 representam, neste momento, uma projeção do governo e não um valor definitivamente aprovado.
Da Redação do RS NOTÍCIA


