Comentários contestam as críticas de Mônica Sobral à participação de Juca de Bala nos Lambe-Sujos, esclarecem a tradição do esmolado, destacam a importância do fórum e rebatem acusações de interferência da Prefeitura nos grupos folclóricos.
OPINIÃO I – CRÍTICAS DE MÔNICA SOBRAL IGNORAM A RELAÇÃO HISTÓRICA DE JUCA COM OS LAMBE-SUJOS
É cada vez mais difícil para quem acompanha a política de Laranjeiras levar a sério algumas críticas feitas pela vereadora Mônica Sobral. Embora seus discursos sejam apresentados de maneira aparentemente organizada, muitas vezes eles surgem descontextualizados e direcionados quase exclusivamente ao desgaste da gestão liderada pelo prefeito Juca de Bala.
É natural e necessário que uma administração tenha oposição. A crítica faz parte da democracia, contribui para a fiscalização e pode ajudar a corrigir problemas. Porém, para cumprir essa função, ela precisa ser responsável, construtiva e fundamentada em informações corretas.
Na sessão da última terça-feira,13, Mônica direcionou suas críticas para a tradicional festa dos Lambe-Sujos e Caboclinhos. A manifestação folclórica foi realizada, mais uma vez, com grande participação popular e avaliação positiva da maioria das pessoas que estiveram presentes.
A organização e a infraestrutura da festa ficaram sob a responsabilidade da Prefeitura de Laranjeiras, por meio da Secretaria Municipal de Cultura. A segurança contou com a atuação integrada da Polícia Militar, sob o comando do major Cláudio Silvestre, e da Guarda Municipal. A programação transcorreu normalmente, sem ocorrências capazes de comprometer o brilho da manifestação folclórica.
Também merece reconhecimento o trabalho da comissão organizadora, presidida por Joelson Batista, o popular Dindo, que interpreta o Rei dos Lambe-Sujos, assim como a dedicação dos personagens, lideranças e brincantes que mantêm viva essa tradição. Todos os integrantes dos Lambe-Sujos e dos Caboclinhos estão de parabéns pela apresentação.
Juca não “roubou a cena”: ele é brincante da festa
Mônica afirmou que o prefeito teria tentado se transformar na “estrela da festa”. A crítica, entretanto, ignora um fato conhecido pelos laranjeirenses: Juca de Bala participa há vários anos dos Lambe-Sujos como brincante, e não apenas como prefeito ou convidado institucional.
Juca nasceu e cresceu no Centro de Laranjeiras, convivendo com essa manifestação desde a infância. Seu envolvimento com a tradição é tão profundo que está tatuado na própria pele. Portanto, sua presença não começou agora nem foi criada para produzir imagens em redes sociais.
Nesta edição, Juca participou devidamente caracterizado, com a roupa e a pintura utilizadas pelos demais brincantes. Seu filho, Antônio Bala, deputado estadual eleito, também esteve presente e seguiu os mesmos passos.
Juca não apenas incentiva a festa como gestor. Ele participa, brinca e vivencia a tradição. Até aqui, é o único prefeito de Laranjeiras a entrar efetivamente na manifestação como integrante dos Lambe-Sujos. Isso constitui um diferencial que deveria ser reconhecido, independentemente das divergências políticas.
A tradição do esmolado e a compra realizada por Juca
Outro ponto levantado pela vereadora precisa ser esclarecido. Mônica afirmou que o prefeito e seu filho estariam pedindo alimentos para a feijoada e sugeriu que a tradição teria sido modificada. A crítica nasceu de uma confusão entre o esmolado realizado pelos brincantes e a compra de alimentos feita por Juca.
O esmolado é uma prática tradicional que acontece no sábado, dia da feira livre de Laranjeiras e véspera da festa. Um representante dos Lambe-Sujos e um representante dos Caboclinhos percorrem juntos a feira, solicitando aos feirantes alimentos que serão utilizados na preparação da feijoada servida no domingo.
Juca não participa do esmolado nem vai à feira para pedir mantimentos. Ele vai comprar os alimentos. Embora as duas atividades aconteçam no sábado, são realizadas em horários diferentes e possuem características e finalidades distintas.
Durante a compra, o prefeito não está pintado nem caracterizado como brincante. Ele veste a camisa promocional disponibilizada pela Secretaria Municipal de Cultura às pessoas que trabalham na organização e na divulgação da festa.
Sua equipe de comunicação acompanha a ação e produz o registro para as redes sociais, algo perfeitamente natural dentro da promoção do evento. A própria vereadora também utiliza sua assessoria e suas redes para divulgar visitas, reivindicações, críticas e discursos realizados na Câmara.
Portanto, o vídeo não mostra Juca pedindo alimentos nem alterando a tradição do esmolado. Mostra o prefeito comprando os produtos que serão utilizados na feijoada promovida por ele, como faz há várias edições.
A feijoada dos Lambe-Sujos, realizada na barraca do grupo folclórico, é diferente da feijoada promovida por Juca em outro local. A vereadora confundiu as duas ações e, com base nessa interpretação equivocada, apresentou uma crítica que não corresponde ao que realmente aconteceu.
Antes de afirmar que uma tradição foi modificada, era necessário compreender como funciona o esmolado, ouvir os envolvidos e verificar o contexto completo das imagens. Uma assessoria parlamentar também deve cumprir essa função.
Como prefeito, Juca ampliou o apoio estrutural à manifestação por meio da Secretaria Municipal de Cultura e das demais áreas envolvidas na organização. Como cidadão e brincante, continua fazendo aquilo que já realizava antes de ocupar o cargo: participar de uma tradição que conhece, respeita e ama.
Existe uma diferença significativa entre aparecer em uma festa apenas por obrigação institucional e vivenciá-la desde a infância. Juca possui essa ligação histórica e, agora, utiliza a força do mandato concedido pela população para fortalecer ainda mais a manifestação folclórica.
A festa dos Lambe-Sujos e Caboclinhos cresceu e ganhou mais organização durante a gestão de Juca de Bala. Isso não impede críticas pontuais, mas exige que elas sejam feitas com equilíbrio, responsabilidade e respeito aos fatos.
A oposição tem o direito de fiscalizar e questionar. No entanto, a crítica perde credibilidade quando nasce de informações incompletas ou de uma interpretação construída apenas para atacar o governo municipal.
Antes de criticar a presença de Juca na festa, é preciso reconhecer: ele não chegou agora, não é um espectador e não está representando um personagem político. Juca de Bala é, há vários anos, um verdadeiro brincante dos Lambe-Sujos.
OPINIÃO II – MÔNICA CRITICA FÓRUM SEM CONHECER A PROGRAMAÇÃO E ERRA NOVAMENTE SOBRE A PRESENÇA DE JUCA
Ainda durante seu pronunciamento, a vereadora Mônica Sobral fez críticas ao primeiro Fórum dos Lambe-Sujos e Caboclinhos, realizado no sábado que antecedeu a manifestação folclórica. Mais uma vez, porém, suas colocações foram feitas sem o conhecimento adequado da programação e fora do contexto do que realmente aconteceu.
O fórum foi inserido na programação pela comissão organizadora, em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura e sua equipe. A proposta foi acrescentar à festa um componente histórico, científico e educativo, criando um espaço aberto para estudar a manifestação, preservar suas características e debater possíveis melhorias.
Fórum reuniu brincantes, pesquisadores e representantes da cultura
Realizado no sábado à noite, o encontro foi aberto à comunidade e contou com a participação da comissão organizadora, brincantes, pesquisadores, historiadores, do Major Cláudio Silvestre, da Mestra Nadir da Mussuca, gestores públicos e pessoas de diferentes idades interessadas na preservação dos Lambe-Sujos e Caboclinhos.
Também foram convidados representantes de órgãos estaduais e municipais relacionados à cultura, entre eles a Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (Funcap), o Conselho Estadual de Cultura e o Conselho Municipal de Cultura.
O fórum criou um importante espaço de reflexão sobre a história da manifestação folclórica. O objetivo foi ouvir diferentes opiniões, identificar aspectos que precisam ser preservados e construir propostas capazes de corrigir eventuais falhas sem descaracterizar a tradição.
Entre os participantes estavam o secretário municipal de Cultura, integrantes de sua equipe, secretários de outras pastas, estudiosos e representantes dos grupos folclóricos. O palestrante foi o professor doutor Mesalas Santos, pesquisador da cultura laranjeirense.
Também participaram Joelson Batista, o Dindo, presidente da comissão organizadora e intérprete do Rei dos Lambe-Sujos; o vereador Ruston Zuzartes, que participa da manifestação como Príncipe dos Lambe-Sujos; além de outros brincantes e pessoas comprometidas com a preservação da festa.
Juca e Antônio Bala não participaram do fórum
Mônica chegou a insinuar que o prefeito Juca de Bala e seu filho, Antônio Bala, também teriam comparecido ao fórum com o propósito de “roubar a cena”. Os dois, entretanto, não estiveram presentes no encontro.
O prefeito e Antônio foram convidados, mas, por motivo de força maior, não puderam comparecer. Juca participou da manifestação folclórica no domingo, como brincante dos Lambe-Sujos, e não do fórum realizado na noite anterior.
Portanto, a vereadora criticou a suposta participação de duas pessoas que sequer estiveram no evento. Trata-se de mais uma afirmação feita sem a necessária verificação dos fatos.
O fórum foi realizado pela primeira vez na história das edições dos Lambe-Sujos e Caboclinhos. Em vez de diminuir sua importância, é preciso reconhecer que a iniciativa abriu um novo espaço para estudar, documentar e fortalecer uma das principais manifestações culturais de Laranjeiras.
Por ter uma visão crítica sobre a festa, Mônica deveria aproveitar a próxima edição, em 2027, para participar do encontro. O fórum é exatamente o lugar adequado para apresentar questionamentos, fazer reivindicações, propor mudanças e contribuir diretamente para o aperfeiçoamento da manifestação folclórica.
Criticar é um direito da vereadora. Contudo, antes de formular acusações ou insinuações, é indispensável conhecer a programação, verificar quem participou e compreender os objetivos do evento.
Ao criticar Juca e Antônio por uma participação que não aconteceu, Mônica cometeu mais um erro em suas considerações sobre a edição de 2026 dos Lambe-Sujos e Caboclinhos.
OPINIÃO III – DISPUTAS INTERNAS NÃO SIGNIFICAM INTERVENÇÃO DA PREFEITURA
Para concluir, a vereadora Mônica Sobral insiste em afirmar que existiria uma iniciativa da Prefeitura de Laranjeiras, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, para intervir no comando dos grupos folclóricos, especialmente dos Lambe-Sujos e Caboclinhos. Essa acusação, no entanto, não apresenta elementos concretos que a sustentem.
Disputas internas por liderança, organização e espaço acontecem naturalmente em grupos culturais, associações e outros segmentos da sociedade. Um exemplo ocorreu durante a gestão da ex-prefeita Ione Sobral, mãe da vereadora, quando Irineu Fontes comandava a Secretaria Municipal de Cultura.
Naquele período, houve uma forte divergência durante o processo de retomada das Cheganças. O impasse envolveu mestres e brincantes e resultou na divisão do grupo e no resgate de outra Chegança. Uma permaneceu sob o comando de determinado mestre, enquanto a outra passou a ser conduzida por outros integrantes. Atualmente, as duas convivem e realizam normalmente suas apresentações.
Na época, a atuação do secretário de Cultura foi compreendida como uma tentativa de dialogar, mediar o conflito e apaziguar a situação. Não houve acusação política de que a Prefeitura pretendia controlar, atrapalhar ou assumir o comando das Cheganças.
As divergências existentes atualmente também precisam ser analisadas com o mesmo equilíbrio. Conflitos internos entre brincantes não podem ser automaticamente atribuídos à Prefeitura ou ao gestor responsável pela Cultura, principalmente sem provas de qualquer interferência indevida.
Ao insistir nessa narrativa, Mônica apresenta uma interpretação que soa tendenciosa e voltada à desqualificação da gestão atual. A vereadora precisa observar os fatos com mais justiça, conhecer melhor a realidade dos grupos e evitar utilizar critérios diferentes para situações semelhantes.
Fiscalizar e criticar são direitos da oposição, mas transformar disputas naturais em acusações contra a Prefeitura, sem comprovação, não contribui para a preservação da cultura nem para um debate político responsável.
Por Reginaldo Santos — Opinião | RS NOTÍCIA
*Com vídeos divulgados na rede social da PML e na do Prefeito Juca de Bala





