Entre acusações sem provas, cobranças direcionadas ao órgão errado e números que não fecham, o discurso da oposição levanta mais questionamentos do que esclarecimentos.
Durante a sessão legislativa da Câmara de Laranjeiras, na terça-feira (10), a vereadora da “Bolha da Sorte”, Mônica Sobral, voltou a fazer acusações contra a gestão municipal, afirmando que a administração estaria perseguindo blogueiros e internautas que criticam o governo municipal.
A denúncia é grave. No entanto, curiosamente, até o momento a parlamentar não apresentou qualquer prova que sustente o que afirmou na tribuna.
Em outro momento de sua fala, chegou a dizer que a atual gestão municipal “humilha” a população. Se isso realmente fosse verdade, seria difícil explicar por que a maioria dos laranjeirenses continua aprovando a administração do prefeito Juca e, inclusive, classificando-a como uma das melhores que o município já teve.
É claro que a população reconhece falhas, cobra melhorias e aponta problemas — como acontece em qualquer governo, Brasil afora. Mas também reconhece quando há trabalho, resultados e avanços. E, pelo que se vê nas ruas, para muitos moradores de Laranjeiras, os acertos da atual gestão pesam muito mais do que os pequenos erros.
Entre o ataque constante e a pose de vítima
A vereadora parece continuar em permanente palanque eleitoral. Ataca a gestão municipal o tempo todo, sem qualquer trégua. No entanto, quando é criticada ou contestada — algo absolutamente normal no debate político democrático — passa a se colocar na posição de vítima, alegando estar sendo perseguida.
Na política, críticas e contrapontos fazem parte do jogo democrático. Quem critica também precisa estar preparado para ser criticado.
Diante disso, se há alguém promovendo perseguição no cenário político local, tudo indica que o movimento parte justamente da própria vereadora em direção à gestão municipal — e não o contrário.
Cobrança direcionada ao órgão errado
Outra reclamação feita pela vereadora foi sobre os desligamentos no abastecimento de água realizados pela Iguá Sergipe em Laranjeiras. No entanto, a cobrança direcionada à gestão municipal soa incoerente, já que a responsabilidade pela prestação desse serviço é da própria Iguá Sergipe — e não da Prefeitura.
A fiscalização desse tipo de serviço cabe ao Governo do Estado, por meio da Agrese (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de Sergipe). E a vereadora sabe muito bem disso.
Portanto, o mais coerente seria cobrar diretamente da Iguá Sergipe e denunciar a situação ao Governo do Estado. Inclusive porque, no próprio governo estadual, ela tem dois irmãos ocupando cargos de destaque: Zezinho Sobral, vice-governador, e Alexandre Sobral, que integra a diretoria da Agrese — justamente o órgão responsável por fiscalizar as empresas concessionárias de serviços públicos.
Mas, na tentativa de atingir a gestão municipal, ela prefere ignorar essa realidade e direcionar a cobrança para quem não tem responsabilidade pelo serviço. Assim, a crítica perde força e vira apenas discurso político.
Críticas ao atraso das obras no bairro Gameleiro
A vereadora também fez críticas às importantes intervenções que a gestão municipal vem realizando no bairro Gameleiro. São obras que, quando concluídas, deverão melhorar significativamente a qualidade de vida da comunidade, já que intervenções dessa dimensão nunca haviam sido realizadas naquela localidade.
Ainda assim, a parlamentar afirmou que as obras já deveriam estar concluídas — como se atrasos na execução de obras públicas fossem algo exclusivo de Laranjeiras.
Vale lembrar que, na última vez em que o grupo político da família da vereadora governou o município — por pouco mais de cinco anos consecutivos, e não oito como ela afirmou —, a cidade foi deixada com salários atrasados, altíssimo índice de rejeição popular (em torno de 85%) e sem a realização de qualquer obra estruturante.
Não é por acaso que, desde então, as tentativas de retorno desse grupo ao Executivo municipal têm sido rejeitadas nas urnas. Mas, ao que parece, esse é um fato que a vereadora prefere ignorar.
Quando o exagero vira discurso político
A vereadora demonstra, mais uma vez, que até quando levanta um ponto pertinente consegue exagerar e acabar perdendo a razão.
Ao repercutir a cobrança do vereador José Carlos JJ sobre a duplicidade de projeto que trata da inclusão, nas escolas públicas do município, de uma abordagem didática sobre a história de Maria da Penha e a Lei que leva seu nome — um instrumento fundamental na defesa das mulheres —, ela transformou uma situação simples em mais um ataque político.
Como ponderou o vereador Dr. Léo, tratava-se claramente de um problema de comunicação entre os poderes, algo perfeitamente resolvível com diálogo e alinhamento institucional.
Mas, em vez de reconhecer isso, a vereadora preferiu insinuar que o Executivo teria agido de propósito, apenas em busca de holofotes, sem se preocupar com crianças e adolescentes. Uma acusação pesada e totalmente desproporcional.
Na prática, tanto o vereador José Carlos JJ quanto a Secretaria Municipal de Educação estão corretos ao tratar de um tema tão relevante. Faltou apenas comunicação — algo que qualquer reunião institucional resolve.
Ainda assim, a vereadora preferiu transformar um mal-entendido administrativo em narrativa política, direcionando ataques ao prefeito Juca e à gestão municipal. Quando a crítica abandona o equilíbrio e se deixa levar pela irritação política, perde força e vira apenas discurso.
Memória seletiva ou erro de cálculo?
Durante sua fala na tribuna, na última sessão legislativa, a vereadora da “Bolha da Sorte” voltou a mencionar o período em que sua família ou grupo político esteve à frente da Prefeitura de Laranjeiras pela última vez. O problema é que, mais uma vez, apresentou números que simplesmente não correspondem aos fatos.
Vereadora, não foram oito anos. Foram pouco mais de cinco.
Sua mãe assumiu a Prefeitura em setembro de 2007, quando o então prefeito Paulão da Varzinhas foi afastado pela Justiça Eleitoral — em um processo eleitoral provocado pela própria defesa da ex-prefeita Ione Sobral. Um episódio que a vereadora Mônica Sobral certamente lembra bem.
A partir daí, ela permaneceu no comando do Executivo até o final de 2012, entregando a gestão ao prefeito Juca em 2013.
Ou seja, fazendo a conta correta: de setembro de 2007 até dezembro de 2012 são aproximadamente 5 anos e 4 meses — muito distante dos “oito anos” citados pela vereadora na tribuna.
Na política, divergências de opinião são naturais. Mas distorcer fatos tão recentes da história administrativa do município não fortalece o debate público — apenas cria uma narrativa que não resiste a uma simples conta no calendário.
No fim das contas, o que se viu na tribuna foi uma sequência de acusações sem provas, cobranças direcionadas ao ente errado, críticas desproporcionais e números que não fecham quando confrontados com os fatos. O debate político é saudável e necessário, mas perde qualidade quando se sustenta mais em narrativas do que na realidade.
Na próxima edição da página Opinião, traremos mais análises sobre as narrativas da vereadora de oposição. Aguardem.





