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quinta-feira, março 12, 2026
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OPINIÃO: As narrativas disfarçadas de denúncias da Vereadora da ‘Bolha da Sorte’

Entre acusações sem provas, cobranças direcionadas ao órgão errado e números que não fecham, o discurso da oposição levanta mais questionamentos do que esclarecimentos.

Durante a sessão legislativa da Câmara de Laranjeiras, na terça-feira (10), a vereadora da “Bolha da Sorte”, Mônica Sobral, voltou a fazer acusações contra a gestão municipal, afirmando que a administração estaria perseguindo blogueiros e internautas que criticam o governo municipal.

A denúncia é grave. No entanto, curiosamente, até o momento a parlamentar não apresentou qualquer prova que sustente o que afirmou na tribuna.

Em outro momento de sua fala, chegou a dizer que a atual gestão municipal “humilha” a população. Se isso realmente fosse verdade, seria difícil explicar por que a maioria dos laranjeirenses continua aprovando a administração do prefeito Juca e, inclusive, classificando-a como uma das melhores que o município já teve.

É claro que a população reconhece falhas, cobra melhorias e aponta problemas — como acontece em qualquer governo, Brasil afora. Mas também reconhece quando há trabalho, resultados e avanços. E, pelo que se vê nas ruas, para muitos moradores de Laranjeiras, os acertos da atual gestão pesam muito mais do que os pequenos erros.

Entre o ataque constante e a pose de vítima

A vereadora parece continuar em permanente palanque eleitoral. Ataca a gestão municipal o tempo todo, sem qualquer trégua. No entanto, quando é criticada ou contestada — algo absolutamente normal no debate político democrático — passa a se colocar na posição de vítima, alegando estar sendo perseguida.

Na política, críticas e contrapontos fazem parte do jogo democrático. Quem critica também precisa estar preparado para ser criticado.

Diante disso, se há alguém promovendo perseguição no cenário político local, tudo indica que o movimento parte justamente da própria vereadora em direção à gestão municipal — e não o contrário.

Cobrança direcionada ao órgão errado

Outra reclamação feita pela vereadora foi sobre os desligamentos no abastecimento de água realizados pela Iguá Sergipe em Laranjeiras. No entanto, a cobrança direcionada à gestão municipal soa incoerente, já que a responsabilidade pela prestação desse serviço é da própria Iguá Sergipe — e não da Prefeitura.

A fiscalização desse tipo de serviço cabe ao Governo do Estado, por meio da Agrese (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de Sergipe). E a vereadora sabe muito bem disso.

Portanto, o mais coerente seria cobrar diretamente da Iguá Sergipe e denunciar a situação ao Governo do Estado. Inclusive porque, no próprio governo estadual, ela tem dois irmãos ocupando cargos de destaque: Zezinho Sobral, vice-governador, e Alexandre Sobral, que integra a diretoria da Agrese — justamente o órgão responsável por fiscalizar as empresas concessionárias de serviços públicos.

Mas, na tentativa de atingir a gestão municipal, ela prefere ignorar essa realidade e direcionar a cobrança para quem não tem responsabilidade pelo serviço. Assim, a crítica perde força e vira apenas discurso político.

Críticas ao atraso das obras no bairro Gameleiro

A vereadora também fez críticas às importantes intervenções que a gestão municipal vem realizando no bairro Gameleiro. São obras que, quando concluídas, deverão melhorar significativamente a qualidade de vida da comunidade, já que intervenções dessa dimensão nunca haviam sido realizadas naquela localidade.

Ainda assim, a parlamentar afirmou que as obras já deveriam estar concluídas — como se atrasos na execução de obras públicas fossem algo exclusivo de Laranjeiras.

Vale lembrar que, na última vez em que o grupo político da família da vereadora governou o município — por pouco mais de cinco anos consecutivos, e não oito como ela afirmou —, a cidade foi deixada com salários atrasados, altíssimo índice de rejeição popular (em torno de 85%) e sem a realização de qualquer obra estruturante.

Não é por acaso que, desde então, as tentativas de retorno desse grupo ao Executivo municipal têm sido rejeitadas nas urnas. Mas, ao que parece, esse é um fato que a vereadora prefere ignorar.

Quando o exagero vira discurso político

A vereadora demonstra, mais uma vez, que até quando levanta um ponto pertinente consegue exagerar e acabar perdendo a razão.

Ao repercutir a cobrança do vereador José Carlos JJ sobre a duplicidade de projeto que trata da inclusão, nas escolas públicas do município, de uma abordagem didática sobre a história de Maria da Penha e a Lei que leva seu nome — um instrumento fundamental na defesa das mulheres —, ela transformou uma situação simples em mais um ataque político.

Como ponderou o vereador Dr. Léo, tratava-se claramente de um problema de comunicação entre os poderes, algo perfeitamente resolvível com diálogo e alinhamento institucional.

Mas, em vez de reconhecer isso, a vereadora preferiu insinuar que o Executivo teria agido de propósito, apenas em busca de holofotes, sem se preocupar com crianças e adolescentes. Uma acusação pesada e totalmente desproporcional.

Na prática, tanto o vereador José Carlos JJ quanto a Secretaria Municipal de Educação estão corretos ao tratar de um tema tão relevante. Faltou apenas comunicação — algo que qualquer reunião institucional resolve.

Ainda assim, a vereadora preferiu transformar um mal-entendido administrativo em narrativa política, direcionando ataques ao prefeito Juca e à gestão municipal. Quando a crítica abandona o equilíbrio e se deixa levar pela irritação política, perde força e vira apenas discurso.

Memória seletiva ou erro de cálculo?

Durante sua fala na tribuna, na última sessão legislativa, a vereadora da “Bolha da Sorte” voltou a mencionar o período em que sua família ou grupo político esteve à frente da Prefeitura de Laranjeiras pela última vez. O problema é que, mais uma vez, apresentou números que simplesmente não correspondem aos fatos.

Vereadora, não foram oito anos. Foram pouco mais de cinco.

Sua mãe assumiu a Prefeitura em setembro de 2007, quando o então prefeito Paulão da Varzinhas foi afastado pela Justiça Eleitoral — em um processo eleitoral provocado pela própria defesa da ex-prefeita Ione Sobral. Um episódio que a vereadora Mônica Sobral certamente lembra bem.

A partir daí, ela permaneceu no comando do Executivo até o final de 2012, entregando a gestão ao prefeito Juca em 2013.

Ou seja, fazendo a conta correta: de setembro de 2007 até dezembro de 2012 são aproximadamente 5 anos e 4 meses — muito distante dos “oito anos” citados pela vereadora na tribuna.

Na política, divergências de opinião são naturais. Mas distorcer fatos tão recentes da história administrativa do município não fortalece o debate público — apenas cria uma narrativa que não resiste a uma simples conta no calendário.

No fim das contas, o que se viu na tribuna foi uma sequência de acusações sem provas, cobranças direcionadas ao ente errado, críticas desproporcionais e números que não fecham quando confrontados com os fatos. O debate político é saudável e necessário, mas perde qualidade quando se sustenta mais em narrativas do que na realidade.

Na próxima edição da página Opinião, traremos mais análises sobre as narrativas da vereadora de oposição. Aguardem.

PUBLICIDA DA CÂMARA DE LARANJEIRAS MÊS DE MARÇO DE 2026

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