InícioEsportesBets no Brasil: de Temer a Lula, como o Brasil autorizou, regulamentou...

Bets no Brasil: de Temer a Lula, como o Brasil autorizou, regulamentou e agora decidiu proibir as apostas

Lei de 2018 abriu caminho para as apostas esportivas; regulamentação não foi concluída no governo Bolsonaro e entrou em vigor no governo Lula, que anunciou a proibição às vésperas da eleição de 2026.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, na sexta-feira (25), uma medida provisória que proíbe as bets no Brasil. A decisão atinge as apostas esportivas de quota fixa e os jogos on-line abrangidos pela legislação do setor. Anunciada depois de o governo regulamentar a atividade, autorizar empresas e arrecadar bilhões de reais, ela provoca uma pergunta na reta final da eleição: por que a proibição veio somente agora?

A trajetória das bets passou por três governos. Em 2018, no governo Michel Temer, a Lei nº 13.756 criou a modalidade de apostas de quota fixa e abriu caminho legal para as apostas esportivas. A lei previa a regulamentação federal em até dois anos, com possibilidade de prorrogação por mais dois. No governo Jair Bolsonaro, essa regulamentação não foi concluída, embora o mercado tenha continuado a crescer.

No governo Lula, a escolha inicial foi regulamentar a atividade. A Lei nº 14.790, sancionada em dezembro de 2023, estabeleceu novas regras e incluiu os jogos on-line entre as apostas de quota fixa legalizadas. A partir de 1º de janeiro de 2025, empresas autorizadas pelo Ministério da Fazenda passaram a operar no mercado federal regulado.

O setor também gerou receita para o poder público. Segundo informação apresentada pela Receita Federal à Câmara dos Deputados, a arrecadação de tributos sobre apostas chegou a cerca de R$ 9 bilhões em 2025. Em outra frente, o próprio governo informou na sexta-feira que concedeu 85 outorgas de R$ 30 milhões cada, totalizando R$ 2,55 bilhões pagos pelas empresas para obter autorização. Tributos e outorgas são cobranças distintas; esses números não representam o lucro do governo nem o total perdido pelos apostadores.

A arrecadação dá força à cobrança pública: depois de regulamentar as bets, conceder licenças e receber esses recursos, por que o governo decidiu proibi-las às vésperas da eleição? O avanço do endividamento e os danos associados ao jogo problemático exigem resposta, mas também exigem explicações sobre a eficácia das medidas de proteção adotadas enquanto as plataformas operavam legalmente. A proximidade da eleição torna o momento da decisão politicamente relevante; não demonstra, por si só, qual foi a motivação do presidente.

Pela Medida Provisória nº 1.394/2026, novos depósitos nas plataformas ficam proibidos. Os apostadores têm até 5 de outubro para retirar voluntariamente seus saldos, e os sites e aplicativos deverão sair do ar a partir de 6 de outubro. O governo prevê a devolução posterior dos valores que não forem sacados nesse prazo e promete intensificar o combate às plataformas ilegais.

A cronologia impede que os efeitos das bets sejam atribuídos exclusivamente a um adversário político: a autorização das apostas esportivas veio no governo Temer; a regulamentação não foi concluída sob Bolsonaro; e o mercado federal autorizado começou a funcionar sob Lula. Agora, cabe ao governo explicar o que mudou em sua avaliação, como enfrentará a oferta clandestina e que apoio dará às famílias afetadas. Para elas, o resultado da proibição dependerá da fiscalização e do atendimento oferecido daqui em diante.

Da Redação do RS NOTÍCIA 

PUBLIDADE DE SETEMBRO DE 2026

BANNER DE SENA CONTABILIDADE

Banner do Patrocinador

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas Notícias