Em análise de 180 mil menções, 68,2% das publicações não citaram o presidente; críticas lembram que seu governo regulamentou o setor antes de proibi-lo.
O fim das bets recebeu apoio majoritário nas manifestações analisadas pela AP Exata nas redes sociais, mas esse apoio não se converteu automaticamente em crédito político para o presidente Lula (PT). Essa é a principal conclusão do levantamento divulgado pela CNN Brasil após a medida provisória que proibiu as apostas no país.
A empresa analisou 180 mil menções publicadas no X e no Instagram nos dias 25 e 26 de setembro. Entre as postagens sobre a medida, 68,2% não mencionaram Lula. O dado mostra que grande parte da conversa se concentrou na proibição e em seus efeitos, sem associar expressamente a decisão ao presidente.
Houve também manifestações favoráveis a Lula: 18,6% das publicações o elogiaram, defenderam ou lhe atribuíram crédito pela iniciativa. Outras 6,2% apoiaram o fim das bets, mas fizeram ressalvas à atuação do presidente. Já 7% criticaram Lula ou o momento escolhido para editar a medida.
As preocupações com vício em jogos e endividamento das famílias ajudaram a impulsionar o apoio à proibição. Por outro lado, parte dos comentários questionou a mudança de posição do governo: as bets foram regulamentadas durante o atual mandato de Lula e agora são alvo de uma medida de proibição, às vésperas da eleição.
Para o presidente da AP Exata, Sergio Denicoli, ser contrário às bets não significa necessariamente apoiar eleitoralmente quem decidiu proibi-las. Ele afirmou à CNN que alguns internautas enxergam a decisão como oportunismo eleitoral, enquanto outros criticam o histórico de regulamentação do setor pelo próprio governo.
O levantamento, porém, não permite afirmar que 68,2% dos internautas são contra Lula. Esse percentual reúne publicações que simplesmente não citaram o presidente. Também não se trata de pesquisa de intenção de voto: os resultados descrevem a repercussão da medida em duas redes sociais, durante dois dias.
A medida provisória assinada em 25 de setembro proíbe apostas esportivas e jogos online enquadrados como apostas de quota fixa. Segundo o cronograma divulgado pelo governo, novos depósitos foram interrompidos com a publicação da norma, os apostadores têm até 5 de outubro para retirar voluntariamente seus saldos e as plataformas devem sair do ar a partir de 6 de outubro.
A fotografia inicial das redes é, portanto, clara em um ponto: aprovar o fim das bets e aprovar Lula são avaliações diferentes. Saber se a decisão terá algum efeito nas urnas dependerá de pesquisas eleitorais feitas com essa finalidade.
Da Redação do RS NOTÍCIA





