Ex-presidente deixa custódia da Polícia Federal e passa a cumprir pena na Papudinha, em batalhão da PM do DF com condições ampliadas de visitas, saúde e exercícios.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta-feira (15) a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para uma unidade do Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF), conhecida como “Papudinha”, em Brasília.
Bolsonaro estava detido desde novembro de 2025 na Superintendência da Polícia Federal, na capital federal. Segundo apuração da imprensa, a transferência já foi realizada após a autorização judicial.
Condições de custódia e benefícios autorizados
Na decisão, Moraes destacou que a nova unidade oferece condições mais favoráveis de custódia, incluindo banho de sol em área externa com privacidade e horário livre, além da possibilidade de prática de exercícios físicos. O local também conta com posto de saúde e assistência médica em regime de plantão 24 horas, diferentemente da estrutura disponível na PF, onde Bolsonaro tinha acesso apenas ao médico de plantão da corporação.
O ministro afirmou que, apesar de não reconhecer veracidade em reclamações anteriores da defesa sobre as condições da custódia na PF, a transferência se justifica por garantir uma Sala de Estado-Maior exclusiva, com total isolamento dos demais presos e ampliação do tempo de visitas familiares.
Além da transferência, Moraes autorizou uma série de medidas, entre elas:
- Assistência médica integral 24 horas;
- Deslocamento imediato para hospitais em caso de urgência;
- Realização de sessões de fisioterapia nos dias e horários indicados por médicos;
- Entrega diária de alimentação especial;
- Possibilidade de remição de pena por leitura;
- Visitas da esposa Michelle Bolsonaro, dos filhos Flávio, Carlos, Jair Renan e Laura, além da enteada Letícia, às quartas e quintas-feiras;
- Assistência religiosa uma vez por semana.
Também foi autorizada, de forma excepcional, uma visita de Michelle e dos filhos com duração total de três horas, a ser dividida ainda nesta quinta-feira.
Bastidores e pedido de prisão domiciliar
A cela destinada a Bolsonaro é separada da área onde cumprem pena o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor da PRF Silvinei Vasques, também condenados por tentativa de golpe de Estado. As celas são semelhantes e têm capacidade para até quatro pessoas.
A decisão ocorre após Michelle Bolsonaro se reunir com o ministro Gilmar Mendes para tratar da possibilidade de prisão domiciliar do ex-presidente. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também teria atuado nos bastidores, entrando em contato com integrantes da Suprema Corte.
Da Redação do RS NOTÍCIA



