Com votação superior no estado, vice-governador também tinha motivos para valorizar o resultado do estreante e a liderança de Juca; reconhecer o outro é sinal de maturidade política.
OPINIÃO COM REGINALDO SANTOS
Antes de ler nossa opinião, assista ao trecho em que Zezinho Sobral comenta a votação de Antônio Bala e o estilo de campanha de Juca.
Há respostas que poderiam valorizar todos os envolvidos. Na minha avaliação, Zezinho Sobral perdeu essa oportunidade ao comentar a votação de Antônio Bala em Laranjeiras durante entrevista ao programa Sergipe Verdade, apresentado por George Magalhães, tendo como repórter Leandro Brito, na rádio Sim FM, de Carmópolis.
Provocado sobre a vantagem de Antônio no município, Zezinho poderia ter destacado sua própria conquista, explicado os objetivos de sua campanha e reconhecido o desempenho do colega. Reconhecer a vitória política de outro não diminui a nossa.
E os dois saíram das urnas com resultados expressivos.
Uma vitória estadual e uma vantagem local
Zezinho conquistou 44.155 votos em Sergipe, enquanto Antônio Bala recebeu 36.949. Ambos foram eleitos deputados estaduais. No conjunto do estado, portanto, Zezinho teve votação superior.
Em Laranjeiras, o quadro foi diferente: Antônio recebeu 7.974 votos, contra 2.264 de Zezinho. Uma diferença de 5.710 votos, que merece ser reconhecida pelo que representa politicamente.
São duas dimensões distintas da mesma eleição. O desempenho estadual de Zezinho tem seu valor. A força demonstrada por Antônio em Laranjeiras também.
Zezinho poderia ter dito que sua campanha municipal fazia parte de um projeto estadual bem-sucedido. Poderia ter reconhecido a liderança de Juca e seguido adiante, valorizando sua trajetória. Teria sido uma resposta à altura da experiência que possui.
Uma resposta abaixo do perfil que conheço
Sempre enxerguei em Zezinho um político de diálogo, educado e capaz de conviver com diferenças. Reconheço sua experiência administrativa, sua passagem pela Educação e sua importância no cenário estadual.
Justamente por isso, a resposta me pareceu destoar desse perfil.
Na minha leitura, ao valorizar o próprio estilo de campanha em contraposição ao de Juca, sem esclarecer suficientemente essa diferença, Zezinho abriu espaço para uma interpretação depreciativa sobre a atuação do prefeito.
Se existe uma crítica concreta, ela deve ser apresentada com clareza. Uma comparação vaga deixa ao ouvinte a tarefa de preencher o que não foi explicado.
Não afirmo conhecer os sentimentos de Zezinho naquele momento. O que avalio é a resposta pública e a impressão que ela transmitiu. Considero que poderia ter sido mais generosa, mais objetiva e mais coerente com a postura que costumo reconhecer nele.
Antônio teve o apoio do pai e construiu seu resultado
Seria artificial analisar a eleição de Antônio Bala sem reconhecer o peso político de Juca. O prefeito mobilizou aliados, participou da campanha e colocou sua liderança a serviço da candidatura do filho.
Mas também seria injusto reduzir Antônio apenas a esse apoio. Um estreante que conquista quase 37 mil votos no estado apresenta um resultado relevante e assume a responsabilidade de corresponder à confiança recebida.
O apoio de uma liderança ajuda a construir uma candidatura; quem decide é o eleitor. Os votos não pertencem ao prefeito nem a qualquer grupo político.
Na minha avaliação, o desempenho em Laranjeiras expressa tanto a acolhida à candidatura de Antônio quanto a capacidade de mobilização de Juca e seus aliados.
Juliano leva a discussão para o plenário da Câmara Municipal e exalta Gestão de Juca
É nesse ponto que considero pertinente a resposta de Juliano Soares.
Pelo conteúdo de sua manifestação aqui apresentado, o vereador procura explicar o estilo político de Juca a partir da gestão: atendimento à saúde, programas sociais, educação, valorização dos profissionais e intervenções na infraestrutura municipal.
Essas são as áreas que Juliano aponta como expressão do trabalho do prefeito. Na minha avaliação, é uma maneira mais produtiva de conduzir o debate: apresentar ações que possam ser conhecidas, discutidas e cobradas pela população.
Considero a administração de Juca uma referência positiva para Laranjeiras. Essa é minha avaliação editorial. Os resultados eleitorais reforçam a leitura de que existe uma base importante de apoio popular, embora votação favorável não dispense fiscalização nem comprove, isoladamente, a qualidade de cada serviço público.
Reconhecimento também é grandeza política
Zezinho e Antônio têm resultados a celebrar e responsabilidades a cumprir. A disputa eleitoral passou, mas o dever de trabalhar por Sergipe permanece.
Não vejo necessidade de transformar a comparação entre suas votações em uma tentativa de diminuir qualquer um deles. Zezinho tem trajetória e votação para defender seu trabalho. Antônio tem um mandato conquistado e um caminho pela frente.
Minha crítica é à resposta, que considero desnecessária e abaixo da capacidade de diálogo de Zezinho. Espero que tenha sido um episódio pontual.
Reconhecer a força de Juca e o desempenho de Antônio em Laranjeiras não diminuiria Zezinho. Demonstraria a maturidade política que sua trajetória permite esperar.
Por Reginaldo Santos, editor do RS NOTÍCIA.
Vídeo completo: confira abaixo a íntegra da manifestação do vereador Juliano Soares, com aproximadamente 12 minutos. O trecho selecionado para esta edição apresenta apenas parte de sua fala.
Por Reginaldo Santos — Opinião | RS NOTÍCIA


