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PT e Missão acionam tribunais por suposta interferência dos EUA a favor de Flávio Bolsonaro

Partidos pedem apuração de anúncios digitais, possível financiamento estrangeiro e articulações políticas; PT também recorreu ao STF, enquanto ações eleitorais tramitam no TSE.

O Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Missão recorreram à Justiça para pedir a investigação de uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026 em benefício da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).

As iniciativas têm pontos em comum, mas não são idênticas e não foram apresentadas somente ao Supremo Tribunal Federal. O PT acionou o STF e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Já o Missão, partido do candidato à Presidência Renan Santos, apresentou uma ação eleitoral ao TSE.

O que o PT pediu ao STF

No Supremo, o PT protocolou uma manifestação na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental — ADPF 1.178, sob relatoria do ministro Flávio Dino.

A legenda pediu a abertura de uma investigação pela Polícia Federal para identificar a possível origem de recursos, os financiadores, os beneficiários e as operações digitais realizadas no exterior. Solicitou ainda a preservação de registros digitais e financeiros, a coleta de contratos e comprovantes e a interrupção de eventuais operações irregulares.

O PT também pretende que Dino esclareça que a decisão já proferida na ADPF — que impôs limites aos efeitos automáticos de atos estrangeiros no Brasil — alcança possíveis iniciativas externas destinadas a interferir nas eleições brasileiras.

Entre os episódios mencionados estão anúncios pagos no exterior e publicações em perfis do X favoráveis a Flávio Bolsonaro, alguns identificados pela plataforma como parceria remunerada sem revelar claramente o financiador. A petição também cita suspeitas envolvendo a Rockbridge Network, organização política norte-americana associada ao movimento conservador.

O partido solicitou que empresas e plataformas sejam notificadas para fornecer informações sobre contratantes, valores e alcance dos anúncios. A existência das publicações patrocinadas, isoladamente, não comprova que a campanha tenha recebido dinheiro estrangeiro; é justamente a origem dos recursos que o PT pretende esclarecer.

Ação eleitoral pede cassação e inelegibilidade

Em outra frente, a coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou ao TSE uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral contra Flávio Bolsonaro, seu candidato a vice, Alfredo Gaspar, e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

A acusação envolve suposto abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação. A campanha de Lula sustenta que medidas adotadas pelos Estados Unidos e contatos mantidos por integrantes da família Bolsonaro teriam criado um ambiente de instabilidade institucional e eleitoral.

O pedido inclui a cassação do registro ou do eventual diploma da chapa de Flávio e Alfredo Gaspar, além da declaração de inelegibilidade de Flávio e Eduardo Bolsonaro, caso as irregularidades sejam comprovadas.

O que pediu o Partido Missão

O candidato Renan Santos e o Missão também acionaram o TSE. A ação, encaminhada ao ministro André Mendonça, questiona o possível impulsionamento de propaganda eleitoral por perfis norte-americanos ligados ao campo político de Donald Trump.

O Missão pede que a Justiça Eleitoral apure quem pagou pelas publicações, de onde vieram os recursos e se houve benefício irregular à candidatura de Flávio Bolsonaro. Renan também relacionou as suspeitas a eventuais interesses estrangeiros na exploração de terras raras brasileiras.

O próprio material apresentado reconhece, contudo, que ainda não foi revelado contrato, promessa documentada ou ato oficial que comprove uma negociação envolvendo recursos minerais ou financiamento da campanha. O PT pediu que Renan Santos seja ouvido durante a apuração.

Relatório da Abin reforçou os pedidos

As iniciativas foram apresentadas após a divulgação de informações sobre um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O documento teria classificado como crítico o risco de pressão ou interferência norte-americana no processo eleitoral brasileiro.

Esse relatório funciona como elemento de alerta, mas não representa uma conclusão judicial nem comprova que Flávio Bolsonaro recebeu recursos ou apoio eleitoral ilegal dos Estados Unidos.

Em reação, Flávio classificou a iniciativa do PT como uma tentativa de golpe e acusou Lula de atuar politicamente com Flávio Dino. A afirmação é uma resposta política do candidato e também não substitui provas ou decisões dos tribunais.

O que pode acontecer agora

A Justiça deverá verificar inicialmente se as ações atendem aos requisitos processuais e se existem indícios suficientes para abrir uma investigação mais ampla. Plataformas digitais, empresas, responsáveis pelos perfis e integrantes das campanhas poderão ser chamados a entregar documentos ou prestar esclarecimentos.

O ponto central será descobrir se houve apenas manifestação política de pessoas localizadas no exterior — o que, por si só, não configura necessariamente ilícito — ou se existiram financiamento, serviços, publicidade ou coordenação estrangeira destinados a beneficiar uma candidatura brasileira.

Até que as provas sejam examinadas, o tratamento jornalístico correto é registrar que se trata de uma suspeita apresentada por adversários políticos, ainda sem confirmação judicial.

Da Redação do RS NOTÍCIA 

PUBLIDADE DE SETEMBRO DE 2026

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