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Radar político: crise no STF, escala 6×1 e disputa eleitoral agitam Sergipe e o Brasil

Reação de Fachin ao caso Vorcaro–Moraes, posicionamento de Alessandro Vieira, julgamento da candidatura de Valmir e pesquisa Quaest movimentam o noticiário nacional e sergipano.

Crise no STF, fim da escala 6×1 e eleições em Sergipe agitam cenário político

A crise no Supremo Tribunal Federal, o avanço da proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1 e os novos desdobramentos das eleições em Sergipe colocaram o ambiente político nacional sob forte pressão nesta quinta-feira, 3 de setembro.

No estado, as atenções se dividem entre a repercussão eleitoral do posicionamento do senador Alessandro Vieira sobre Alexandre de Moraes, as divergências na disputa pelo Senado, o julgamento do registro da candidatura de Valmir de Francisquinho e os números da pesquisa Quaest para o Governo de Sergipe.

No plano nacional, a manifestação do presidente do STF, Edson Fachin, ampliou a expectativa sobre quais medidas serão adotadas após a divulgação de mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e dirigidas a um contato associado ao ministro Alexandre de Moraes.

Fachin classifica momento do STF como grave

O presidente do Supremo, Edson Fachin, afirmou que a Corte enfrenta um momento de “especial gravidade” e sinalizou que adotará as medidas consideradas cabíveis depois de analisar os novos elementos do caso.

Sem anunciar imediatamente uma providência específica, Fachin declarou que a autoridade de um cargo público não pode ser confundida com privilégio. Também destacou que os ministros do STF estão submetidos a limites, deveres e responsabilidades previstos na Constituição.

A manifestação ocorreu após a divulgação de informações extraídas de um relatório da Polícia Federal sobre contatos atribuídos a Daniel Vorcaro, controlador do antigo Banco Master, com Alexandre de Moraes.

As mensagens apontam que Vorcaro teria procurado o ministro durante o período em que era investigado, inclusive para tratar de assuntos relacionados às apurações. A existência dos contatos provocou questionamentos, mas não comprova, isoladamente, que os pedidos atribuídos ao ex-banqueiro tenham sido atendidos.

Fachin declarou que cabe à Presidência do Supremo preservar a integridade da instituição e a confiança pública depositada na Corte. Leia a manifestação de Fachin sobre a crise no STF.

Caso Moraes entra na campanha de Alessandro Vieira

Em Sergipe, a crise passou a integrar diretamente o debate eleitoral após o senador e candidato à reeleição Alessandro Vieira (MDB) afirmar que Alexandre de Moraes perdeu as condições de permanecer no Supremo.

O senador disse que continuará cobrando esclarecimentos e providências, além de sustentar que integrantes dos Poderes da República não podem agir como se estivessem acima das regras constitucionais.

“Para que a democracia se mantenha viva no nosso país e a Justiça seja justa, não arredarei o pé”, declarou Alessandro em vídeo publicado nas redes sociais.

A manifestação reforça uma linha adotada pelo parlamentar desde o início do mandato, marcada por críticas a autoridades do sistema de Justiça e pela defesa de investigações sobre o caso Banco Master.

Politicamente, o episódio oferece a Alessandro uma pauta nacional com capacidade de ampliar sua exposição durante a campanha ao Senado. Ele pode reforçar a imagem de independência e fiscalização que procura apresentar ao eleitorado.

Ainda não existem, porém, pesquisas posteriores às declarações que permitam medir se a repercussão produzirá crescimento efetivo nas intenções de voto. O impacto eleitoral, portanto, ainda é uma possibilidade e não um resultado comprovado.

A manifestação completa do senador foi publicada pelo RS NOTÍCIA.

André Mendonça pede discussão no plenário

Relator das investigações relacionadas ao Banco Master no STF, André Mendonça pediu ao presidente Edson Fachin uma sessão presencial para que os ministros discutam os novos fatos.

Mendonça considera que o plenário é a instância adequada para tratar das suspeitas envolvendo um integrante da própria Corte.

O ministro também confirmou ter recebido Daniel Vorcaro para um depoimento em seu gabinete, sem a presença da Polícia Federal, mas com participação do Ministério Público. Segundo Mendonça, o ato foi solicitado pela defesa e Alexandre de Moraes não foi assunto do encontro.

As explicações não encerraram a controvérsia. A forma de condução do inquérito, a divulgação do relatório policial e as relações institucionais entre ministros, Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República continuam no centro do debate.

Fim da escala 6×1 avança no Senado

Paralelamente à crise no Judiciário, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou a proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1 e reduz gradualmente a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial.

A PEC 221/2019, relatada pelo senador Omar Aziz (PSD-AM), estabelece duas folgas semanais. Pelo texto aprovado, a jornada cairia inicialmente para 42 horas e, posteriormente, para 40 horas.

Com a aprovação na CCJ, a proposta segue para o plenário do Senado, onde precisará receber pelo menos 49 votos favoráveis em dois turnos. Caso seja aprovada sem alterações, ainda seguirá para análise da Câmara dos Deputados.

A base governista apresenta a medida como uma conquista social e trabalhista. Parte da oposição e representantes do setor empresarial cobra uma avaliação mais aprofundada dos possíveis efeitos sobre custos, produtividade e geração de empregos.

O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, afirmou que a expectativa é votar a proposta no plenário até outubro. Entretanto, a tramitação poderá ser influenciada pelo calendário eleitoral e pela negociação entre os partidos.

As regras aprovadas pela comissão estão detalhadas no portal oficial do Senado.

Disputa pelo Senado expõe novas tensões em Sergipe

A eleição para as duas vagas sergipanas no Senado permanece pulverizada e registra conflitos até mesmo entre candidatos do mesmo partido.

Um dos principais episódios envolve Coronel Rocha e Rodrigo Valadares, ambos candidatos ao Senado pelo PL. Rocha questionou publicamente a distribuição do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e a estrutura disponibilizada pela direção partidária.

Em resposta, Rodrigo Valadares, presidente estadual do PL, afirmou que foi indicado um repasse inicial de R$ 250 mil para Coronel Rocha e que o candidato já teria recebido apoio logístico, produção de material, transporte, combustível e suporte de comunicação.

Valadares também confirmou que o candidato do PL ao Governo de Sergipe, Ricardo Marques, não receberia recursos do fundo eleitoral por decisão relacionada à estratégia nacional do partido. A Executiva Estadual, segundo ele, destinaria recursos próprios à campanha.

A troca pública de críticas expôs dificuldades internas no PL justamente quando o partido tenta fortalecer suas candidaturas ao Governo e ao Senado. Confira as explicações apresentadas por Rodrigo Valadares.

Sergipe tem 11 candidatos registrados na disputa pelas duas vagas: André Moura, Coronel Rocha, Alessandro Vieira, André David, Eduardo Amorim, Edvaldo Nogueira, Iran Barbosa, Paulinho da União Tur, Renatinha, Rodrigo Valadares e Rogério Carvalho. A relação está disponível na Agência Senado.

Elegibilidade de Valmir terá novo capítulo no TRE-SE

A situação jurídica de Valmir de Francisquinho (Republicanos) terá um novo capítulo nesta sexta-feira, 4 de setembro, quando o Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe deverá analisar uma ação de impugnação ao registro de sua candidatura ao Governo do Estado.

A ação, de número 0600373-69.2026.6.25.0000, foi apresentada pela instância estadual da Federação Renovação Solidária, formada por PRD e Solidariedade.

O processo ganhou um componente adicional depois que o Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários da federação estadual foi indeferido. A decisão abriu discussão sobre a legitimidade da instância regional para continuar como autora da impugnação.

A direção nacional da federação pediu habilitação para assumir o processo. A análise desse pedido e a manifestação da Procuradoria Regional Eleitoral antecedem o julgamento.

Uma decisão recente do Superior Tribunal de Justiça foi comemorada pela defesa de Valmir como favorável à sua elegibilidade. Isso, porém, não substitui o julgamento do registro eleitoral que tramita no TRE-SE, responsável por examinar a candidatura no pleito de 2026.

O julgamento está marcado para 4 de setembro, mas sua realização depende da conclusão das manifestações processuais. Entenda a tramitação do caso de Valmir.

Valmir retorna após procedimento cardíaco

Além da situação jurídica, o estado de saúde do candidato também ganhou destaque. Valmir retornou a Sergipe na noite de quarta-feira, 2, depois de passar por exames e por um procedimento cardíaco em São Paulo.

O candidato viajou acompanhado do médico e candidato ao Senado Eduardo Amorim. Segundo informações divulgadas por sua assessoria, Valmir recebeu alta e deverá retomar gradualmente as atividades de campanha, respeitando as recomendações médicas.

O retorno foi acompanhado por apoiadores e integrantes de sua coligação. A campanha busca demonstrar que o episódio de saúde não impedirá a continuidade da candidatura.

As informações disponíveis não detalham publicamente todas as orientações médicas nem estabelecem um calendário completo para a retomada das agendas. Veja as informações sobre o retorno de Valmir a Sergipe.

Quaest mostra Fábio Mitidieri na liderança

A pesquisa Quaest mais recente sobre a disputa pelo Governo de Sergipe apontou Fábio Mitidieri (PSD) com 40% das intenções de voto no cenário estimulado, contra 28% de Valmir de Francisquinho.

Ricardo Marques (PL) aparece com 5%. Emanuel Cacho (PSDB), Dr. Helton (PSOL) e Taty Cristina de Jesus (DC) registraram 1% cada. Os indecisos representam 17%, enquanto votos brancos, nulos e entrevistados que afirmaram não votar somam 7%.

Em uma simulação de segundo turno, Fábio alcança 47% e Valmir aparece com 34%. Outros 11% estão indecisos e 8% declaram voto branco, nulo ou intenção de não votar.

Na pergunta espontânea, quando os nomes não são apresentados aos entrevistados, Fábio tem 26%, Valmir registra 13% e Ricardo Marques aparece com 2%. Nesse cenário, 56% ainda não sabem em quem votar.

A Quaest ouviu presencialmente 804 eleitores entre os dias 23 e 26 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

O levantamento, contratado pela TV Sergipe, está registrado na Justiça Eleitoral sob os números SE-03536/2026 e BR-07281/2026. Confira os dados e a metodologia da pesquisa.

Cenário permanece sujeito a mudanças

Embora a Quaest mostre Fábio Mitidieri numericamente à frente, o percentual de indecisos e os acontecimentos jurídicos e políticos mantêm a eleição sergipana em movimento.

O julgamento do registro de Valmir, sua retomada da campanha, as divergências internas no PL e a repercussão nacional conquistada por Alessandro Vieira poderão influenciar os próximos dias.

Ao mesmo tempo, a crise no Supremo e o avanço da PEC do fim da escala 6×1 devem ocupar espaço significativo na propaganda eleitoral nacional e nos discursos dos candidatos em Sergipe.

A um mês do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, as agendas estadual e nacional estão cada vez mais conectadas — e qualquer novo desdobramento pode alterar o tom da campanha.

Da Redação do RS NOTÍCIA 

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