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OPINIÃO | Zezinho pega carona nas obras de Laranjeiras e tenta transformar presença protocolar em discurso eleitoral
O vice-governador tenta associar sua candidatura a investimentos resultantes da parceria entre a Prefeitura de Laranjeiras e o Governo de Sergipe, mas participação em solenidades não significa autoria das obras.

OPINIÃO I | Zezinho pega carona nas obras de Laranjeiras e transforma presença protocolar em discurso eleitoral
A tentativa do vice-governador e candidato a deputado estadual Zezinho Sobral de associar sua imagem às obras realizadas pelo Governo de Sergipe em Laranjeiras precisa ser confrontada com a realidade política e administrativa do município.
Participar de inaugurações, assinar ordens de serviço ou representar o governador Fábio Mitidieri em solenidades são atribuições institucionais do vice-governador ou do governador em exercício. Estar presente no ato oficial, entretanto, não significa ter idealizado, solicitado ou viabilizado a obra.
Os investimentos estaduais realizados ou em andamento em Laranjeiras são fruto das demandas apresentadas pela Prefeitura e da parceria construída pelo prefeito Juca de Bala com o Governo de Sergipe. Na atual gestão, essa articulação ocorre diretamente com o governador Fábio Mitidieri.
O próprio Juca já rebateu publicamente a narrativa de Zezinho. Em entrevista recente, o prefeito afirmou que as obras estaduais no município nasceram de projetos, solicitações e reivindicações da administração municipal. Não foram iniciativas pessoais do vice-governador, embora ele tenha participado de algumas solenidades representando o Estado.
OPINIÃO II | Um protagonismo que não apareceu no passado
A tentativa de assumir o crédito pelas atuais realizações também perde força quando se observa a passagem de Zezinho Sobral pela Assembleia Legislativa. Mesmo exercendo a liderança do governo de Belivaldo Chagas, ele não teve participação decisiva nas ações conquistadas por Laranjeiras durante aquele período.
Juca era aliado de Belivaldo e participou de sua construção política e eleitoral. Os investimentos destinados ao município decorreram da relação entre a Prefeitura e o então governador. O protagonismo que Zezinho reivindica agora não foi demonstrado quando ele exercia o mandato de deputado estadual.
Por isso, sua atual narrativa parece uma tentativa de transformar presença institucional em capital eleitoral. Obras públicas não podem virar patrimônio político de quem apenas representou o governador nas fotografias, assinaturas e cerimônias oficiais.
OPINIÃO III | Uma presença que agora ganha explicação
A frequência de Zezinho nas agendas estaduais em Laranjeiras sempre provocou estranhamento. Seu grupo político, que reúne a ex-prefeita dona Ione Sobral, Alexandre Sobral e a vereadora Mônica Sobral, é adversário da gestão municipal. Na Câmara, Mônica mantém uma oposição firme e faz críticas constantes ao prefeito Juca de Bala.
Diante dessa rivalidade, a participação de Zezinho nas solenidades relacionadas às parcerias com a Prefeitura causava desconforto nos dois agrupamentos. Mesmo assim, Juca preservou uma postura institucional e respeitosa, sem criar obstáculos à presença do vice-governador.
Agora, a insistência de Zezinho em participar daqueles atos ganha uma possível explicação política. As fotografias, as assinaturas e as inaugurações decorrentes de uma obrigação protocolar estão sendo utilizadas para transmitir uma imagem de protagonismo sobre obras que não nasceram de sua atuação.
O debate ocorre dentro de uma disputa eleitoral direta. Zezinho busca uma vaga na Assembleia Legislativa, enquanto o grupo de Juca apresenta Antônio Bala, filho do prefeito, como candidato ao mesmo cargo. O ambiente de campanha explica o confronto de narrativas, mas não altera a origem administrativa dos investimentos.
Representar o governador não transforma o representante no autor da obra. Participar da cerimônia não é o mesmo que apresentar a demanda, construir o projeto, buscar os recursos e articular a parceria.
O que antes parecia apenas uma presença politicamente contraditória hoje revela sua utilidade eleitoral: criar uma associação entre a imagem de Zezinho e as realizações do Estado em Laranjeiras. Em resumo, tenta-se transformar participação protocolar em mérito pessoal e fotografias oficiais em argumento para conquistar votos.
OPINIÃO IV | Justiça seja feita, mas cada contribuição deve ser colocada no lugar correto
Justiça seja feita: Zezinho Sobral participou das melhorias promovidas na rede estadual de ensino enquanto comandou a Secretaria de Estado da Educação. Escolas de Laranjeiras, como o Cônego Filadelfo Oliveira, o João Ribeiro e o Professora Zizinha Guimarães, foram beneficiadas por investimentos de uma política educacional executada pelo Governo de Sergipe nos municípios.
Também houve emendas destinadas por Zezinho a escolas estaduais quando ele exercia o mandato de deputado. Esse apoio deve ser reconhecido, mas colocado em seu devido contexto. Os recursos permaneceram dentro da estrutura estadual de ensino, em unidades que, naquele período, tinham diretores e ocupantes de cargos indicados ou politicamente ligados ao seu agrupamento.
Isso não retira a importância das melhorias para estudantes, professores e comunidades escolares. Entretanto, também não pode ser apresentado como uma colaboração ampla com a gestão municipal. Não houve, naquele período, ajuda direta à Prefeitura comandada por Juca de Bala nem articulação decisiva em favor dos projetos municipais.
Agora, Zezinho não disputa uma eleição para voltar à Secretaria da Educação, mas para retornar à Assembleia Legislativa. Por isso, precisa mostrar que pode contribuir com Laranjeiras para além dos setores ligados ao seu grupo político.
O prefeito Juca já apresentou um desafio concreto: que Zezinho utilize sua influência junto ao governador Fábio Mitidieri para ajudar na captação de recursos destinados à recuperação do centro histórico, de igrejas, casarões e prédios tombados que necessitam de intervenções urgentes.
Mais importante do que reivindicar o crédito por ações passadas é ajudar a construir novas conquistas. As divergências eleitorais não impedem a união em defesa da população. Zezinho pode fazer diferente: ampliar sua atuação, ultrapassar as fronteiras do próprio agrupamento e contribuir efetivamente para uma demanda que pertence a toda Laranjeiras.
Espaço aberto ao contraditório
Encerramos esta edição da página Opinião reafirmando nosso compromisso com a democracia, a liberdade de expressão e o debate responsável. O espaço permanece aberto para que Zezinho Sobral ou sua assessoria apresentem esclarecimentos, respostas ou contrapontos aos comentários publicados.
Continuaremos acompanhando os acontecimentos e trazendo novas análises sobre a política de Laranjeiras. Até os próximos comentários!


