Senador sergipano afirma que não recuará diante de ameaças e cobra providências após relatório da PF apontar mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e enviadas a contato associado ao ministro Alexandre de Moraes.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) reagiu duramente às informações reveladas por um relatório da Polícia Federal sobre a suposta relação entre Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar afirmou que o episódio evidencia uma “falência de autoridade” e prometeu continuar cobrando mudanças no Senado.
“As manchetes que tomaram conta do Brasil hoje escancaram a situação de total falência de autoridade daqueles que acreditam ainda que estão acima de todos”, declarou Alessandro.
A manifestação ocorreu após a divulgação de mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro. Segundo o relatório, o ex-banqueiro teria enviado dezenas de mensagens a um contato atribuído a Alexandre de Moraes, além de ter feito referências a encontros e pedidos relacionados ao avanço das investigações sobre o Banco Master.
As respostas eventualmente enviadas pelo ministro não aparecem no material divulgado, o que impede conhecer integralmente o contexto das supostas conversas.
Alessandro afirma que não recuará
No vídeo, Alessandro relacionou sua reação ao histórico de enfrentamento que mantém, desde o início do mandato, com integrantes do sistema de Justiça que, na avaliação dele, ultrapassam os limites de suas funções.
“Venho desde 2019 na batalha contra esses que se alimentam do sistema e buscam se fortalecer silenciando quem, como eu, é honesto e tem coragem de bater de frente, de indagar sobre as contradições que estão visíveis e exigir mudanças”, afirmou.
O senador ressaltou que a discussão envolve integrantes de um dos três Poderes da República e disse que continuará atuando para preservar a democracia e a credibilidade da Justiça.
“Para que a democracia se mantenha viva no nosso país, e a Justiça, justa, não arredarei o pé. Aqui no Senado Federal, continuarei meu trabalho, sem temer novas ameaças. O futuro do Brasil depende da nossa coragem agora”, declarou Alessandro.
A íntegra da manifestação foi publicada nos perfis oficiais do senador nas redes sociais.
Senador endureceu discurso no plenário
Além do vídeo, Alessandro Vieira fez um pronunciamento mais contundente no plenário do Senado e defendeu o afastamento de Alexandre de Moraes, por impeachment ou renúncia.
Segundo registro da Agência Senado, o parlamentar afirmou que o escândalo envolvendo o Banco Master “se arrasta há muito tempo” e declarou que Moraes teria perdido as condições políticas e jurídicas de continuar exercendo o cargo.
“O ministro Alexandre de Moraes é um cadáver jurídico, um cadáver político. Ele se inviabilizou pela sua conduta. Um ministro do Supremo não pode se prestar à condição de assessor de banqueiro, mesmo que seja um banqueiro honesto”, afirmou Alessandro.
A declaração representa a avaliação política do senador. Até o momento, não existe decisão judicial definitiva reconhecendo que Moraes tenha cometido crime ou atuado como assessor de Daniel Vorcaro.
Alessandro e outros senadores defenderam que o Senado analise medidas relacionadas à permanência de Moraes no Supremo. A abertura de um processo de impeachment contra ministro do STF depende de decisão do presidente do Senado.
Agência Senado — senadores defendem afastamento de Moraes
O que diz o relatório da Polícia Federal
O relatório divulgado reúne 52 mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e encaminhadas a um contato associado a Alexandre de Moraes, além de registros que, segundo a Polícia Federal, indicariam encontros entre os dois.
Em uma das mensagens, enviada dois dias antes da prisão de Vorcaro, o banqueiro teria perguntado: “Segunda devo estar fora?”. Em outro registro, escreveu: “Estamos juntos sempre. Gratidão da minha vida a você”.
Também foram identificadas referências ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
As mensagens teriam sido escritas no bloco de notas do celular, transformadas em capturas de tela e enviadas pelo WhatsApp como imagens de visualização única. A PF analisou dados e registros eletrônicos do aparelho para tentar reconstruir a sequência das comunicações.
A existência das mensagens enviadas por Vorcaro, entretanto, não comprova isoladamente que os pedidos tenham sido recebidos ou atendidos por Moraes.
Contrato com escritório da esposa de Moraes
A apuração também identificou um contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
O contrato previa pagamentos que poderiam alcançar aproximadamente R$ 131 milhões. Segundo análise dos metadados de um arquivo encontrado pela PF, Moraes teria participado da revisão ou edição de uma minuta do documento.
O escritório informou que o ministro foi consultado sobre possíveis impedimentos legais e que não havia conflito de interesse, pois Moraes não teria atuado em julgamentos relacionados ao Banco Master.
A participação na edição do arquivo, por si só, não demonstra interferência judicial nem comprova o cometimento de irregularidade.
Moraes nega irregularidades
Alexandre de Moraes contestou reportagens sobre as supostas conversas e afirmou que não recebeu determinadas mensagens atribuídas a ele. O ministro classificou as informações como uma “ilação mentirosa” destinada a atingir sua imagem e a credibilidade do Supremo.
O material divulgado apresenta principalmente mensagens produzidas e enviadas por Vorcaro. Como as possíveis respostas de Moraes não foram recuperadas, o conteúdo completo das conversas permanece desconhecido.
A defesa do ministro e o escritório de sua esposa sustentam que não houve atuação irregular relacionada ao Banco Master.
PGR pede anulação do relatório
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação do relatório e dos atos que determinaram o aprofundamento da apuração.
A PGR argumenta que o ministro André Mendonça, relator das investigações do Banco Master no STF, teria ultrapassado sua competência ao requisitar uma apuração envolvendo outro integrante da Corte sem autorização do plenário e sem provocação do Ministério Público.
Mendonça, por sua vez, retirou o sigilo do documento e pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a realização de uma sessão presencial e pública para que o plenário discuta o conteúdo do relatório e os procedimentos adotados.
A divergência abriu uma crise interna no Supremo e provocou uma conversa em tom firme entre Mendonça e Moraes antes de uma sessão da Corte.
Atuação de Alessandro começou em 2019
A declaração de Alessandro de que trava essa batalha desde 2019 tem relação com sua atuação pela criação da chamada CPI da Lava Toga, destinada a investigar possíveis abusos e irregularidades em tribunais superiores.
Naquele ano, o senador sergipano conseguiu reunir as 27 assinaturas necessárias para apresentar o requerimento. A comissão, porém, não foi instalada.
Em março de 2026, Alessandro voltou a protocolar um pedido de CPI, desta vez com 35 assinaturas, para investigar eventuais relações entre Daniel Vorcaro e os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
Agência Senado — requerimento de CPI sobre Moraes, Toffoli e Vorcaro
Como relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro também propôs o indiciamento, por crimes de responsabilidade, de ministros do STF e do procurador-geral Paulo Gonet. O parecer acabou rejeitado pela comissão por seis votos contra quatro.
Caso deve aumentar pressão no Senado
A nova manifestação coloca Alessandro Vieira entre os senadores que defendem uma reação institucional mais dura diante das informações reveladas pela Polícia Federal.
A oposição intensificou a cobrança para que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, analise os pedidos de impeachment contra Moraes. Até o momento, porém, não há indicação de que um processo será aberto.
O caso deverá continuar produzindo repercussões jurídicas e políticas. De um lado, senadores cobram transparência e investigação independente; do outro, juristas alertam para a necessidade de respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência.
As informações divulgadas integram um relatório policial e ainda estão sob análise. A publicação do documento não representa condenação nem comprovação definitiva de responsabilidade criminal por parte de Alexandre de Moraes ou das demais autoridades mencionadas.
ASSISTA VÍDEO PUBLICADO NAS REDES SOCIAIS DO SENADOR ALESSANDRO VIEIRA (MDB/SE)





