quarta-feira, abril 24, 2024
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Ipesaúde: Mudanças garantem continuidade dos serviços e equilíbrio financeiro

Revisão da tabela do Ipesaúde visa assegurar finanças autossustentáveis, com aumento da participação do Governo de Sergipe nos investimentos.

O Instituto de Promoção e de Assistência à Saúde dos Servidores do Estado de Sergipe (Ipesaúde) passará por mudanças para ajustar suas contas e continuar oferecendo serviços de qualidade aos beneficiários. Assim como em todo país, após a pandemia, os sistemas de saúde públicos e privados foram impactados e novas medidas administrativas se fizeram necessárias. Hoje, o benefício atende 116.164 vidas, disponibiliza 33 tipos de atendimentos específicos e 50 consultórios somente no Centro de Especialidades, sem contar as demais unidades e os mais de 360 prestadores credenciados.

O Ipesaúde possui 11 unidades, sendo cinco na capital, um serviço de urgência e mais seis unidades no interior. Para que toda essa estrutura seja mantida, é necessário que o Governo de Sergipe se some à arrecadação obtida por meio dos usuários. Embora a distribuição dessa conta seja paritária entre a gestão estadual e aqueles que se utilizam do benefício, a contribuição adicional do governo vem crescendo ao longo dos anos.

“Em 2020, foi necessário um aporte de R$ 20 milhões dos cofres estaduais. Esse número se repetiu em 2021. Em 2022, por sua vez, foi necessário um aporte de quase R$ 50 milhões”, explica o presidente da autarquia, Cláudio Mitidieri. O descompasso entre receitas e despesas, de acordo com Cláudio, vem gerando uma dívida que se acumula ao longo dos anos. “Temos hospitais com sete meses de atraso nos pagamentos, porque, em alguns momentos, precisamos escolher qual iremos pagar”, destaca.

Em 2022, foi realizada uma média de 27.822 atendimentos mensais por meio do benefício, que vem crescendo em relação ao número de adesões. Este ano, apenas entre janeiro e março, 3.827 vidas foram vinculadas ao Ipesaúde. E dos mais de 116 mil inscritos, 38% são dependentes, incluindo cônjuges, genitores e filhos, entre outros. A população acima dos 50 anos é maioria entre os vinculados, correspondendo a 47% do total de vidas aderentes ao Ipesaúde.

O presidente do Ipesaúde também detalha a situação financeira do órgão, salientando os esforços da equipe para chegar ao equilíbrio. “Quando chegamos ao Ipesaúde, encontramos uma pendência de R$ 154.991.038,28. Em abril de 2023, depois que vieram as contas, chegamos a mais de R$ 183 milhões de déficit. Desses, conseguimos quitar R$ 96 milhões, mas ainda faltam R$ 87 milhões. Ou seja, chegamos à metade de 2023, mas ainda estamos pagando as contas de 2022. E temos um déficit de R$ 120 milhões em relação à arrecadação”, resume.

Para que se tenha uma real noção sobre o tamanho da diferença entre o que se arrecada e o que se investe, é possível observar o índice de sinistralidade no Ipesaúde. Este percentual diz respeito à relação entre o custo do acionamento ao plano e o que a operadora recebe. “O ideal seria uma sinistralidade de 85%. Ou seja, para cada R$ 1,00 recebido, R$ 0,85 gastos. Hoje, esta relação tem chegado a ser de R$ 1,00 para R$ 3,00”, explica.

Caminhos

Visando compatibilizar o que entra e o que sai dos cofres do Ipesaúde, foi enviado à Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) pelo Executivo Estadual um Projeto de Lei (PL) que pretende reajustar a tabela do plano e realinhar suas regras. Pelo dispositivo, o desconto na remuneração destinado aos servidores deve passar de 4% para 6% no caso dos titulares. Já para os dependentes, a menor alíquota, hoje equivalente a 0,7%, passa para 2%. Quanto à maior alíquota, de 2,5%, passa para 4%. No caso dos conveniados que pagam valor fixo, a maior cota, sem reajuste desde 2019, passa de R$ 394 para R$ 582.

Já aprovadas, as mudanças entram em vigor a partir de julho. O objetivo do reajuste é que o Ipesaúde consiga chegar a uma arrecadação mensal de R$ 10 milhões a R$ 12 milhões superior à atual, garantindo a manutenção dos serviços. Hoje, esta arrecadação é de R$ 27 milhões, pela média mensal. E o que pode parecer à primeira vista um aumento da parte bancada pelos usuários, representa também um acréscimo no que é pago pelo Estado. “O Governo de Sergipe vai passar a investir R$ 15 milhões a mais, o que simboliza um aumento de R$ 5 milhões no valor investido atualmente”, assegura Cláudio Mitidieri.

Outras medidas vêm sendo aplicadas para que as finanças da autarquia sejam estabilizadas. “Além da revisão da alíquota, estamos revisando a lista de prestadores credenciados e buscando fortalecer nossa rede própria. Somente neste ano, 35 novos profissionais foram contratados, incluindo nove ortopedistas”, frisa.

Custo-benefício

Mesmo com o reajuste, o Ipesaúde segue sendo uma alternativa com maior custo-benefício em relação aos planos comerciais. “Considerando um dos operadores mais populares do mercado, a taxa para usuários de 0 a 18 anos, que é o menor valor, é de R$ 155. Pelo Ipesaúde, esta mesma faixa etária paga R$ 101. Quanto à maior taxa, o valor chega a R$ 912, enquanto no Ipesaúde o maior valor é de R$ 581”, compara o presidente da autarquia.

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De acordo com as vidas vinculadas ao Ipesaúde, o investimento mensal no serviço tem valido à pena. Natural de Tobias Barreto, no centro sul sergipano, a usuária Clemildes Alves de Oliveira, de 78 anos, veio a Aracaju para se consultar no Centro de Especialidades. “Vim e fui bem atendida. O Ipesaúde é ótimo”, opina.

Acompanhando dona Clemildes, a também usuária Maria de Fátima Santos, de 63 anos, considera que as mudanças no Ipesaúde deverão beneficiar quem utiliza os serviços. “Uma revisão bem-feita é sempre boa. Não tenho dificuldade nenhuma em marcar com os especialistas e o atendimento é bom. Então, é importante mesmo avaliar, para poder ficar bom para todo mundo”, ressalta.

A gestão também acredita que as mudanças terão um impacto geral positivo. “O Ipesaúde não é um plano de saúde, mas um benefício do Governo do Estado aos servidores e um investimento em sua saúde e na de seus dependentes. Não há intenção alguma de que o Ipesaúde seja privatizado. O que queremos é que ele seja autossustentável. É importante lembrar que, se o governo traz um aporte acima do que é investido normalmente, esse valor é retirado de outra parte do orçamento público. Portanto, é necessário gerar um equilíbrio interno”, enfatiza Cláudio Mitidieri.

Fonte: Ascom Governo de Sergipe

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