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Opinião | Fábio Mitidieri chega mais forte a 2026 e transforma adversários de 2022 em aliados
Governador disputa a reeleição ao lado de Jeferson Andrade e recebe o apoio do PT e de Rogério Carvalho, seu adversário no segundo turno de 2022; composição amplia o palanque governista contra Valmir de Francisquinho.
A disputa pelo Governo de Sergipe em 2026 reúne novamente dois personagens que estiveram no centro da eleição estadual de 2022: Fábio Mitidieri, atual governador e candidato à reeleição pelo PSD, e Valmir de Francisquinho, ex-prefeito de Itabaiana e candidato pelo Republicanos.
Os nomes podem ser conhecidos, mas o cenário político é muito diferente.
Em 2022, Valmir entrou na campanha como o principal nome da oposição. Mesmo enfrentando insegurança jurídica em torno de sua candidatura, liderou pesquisas, mobilizou eleitores e recebeu 457.922 votos nas urnas. Como seu registro estava indeferido, entretanto, esses votos foram anulados pela Justiça Eleitoral e não entraram no cálculo oficial dos votos válidos.
Com a anulação, Rogério Carvalho, candidato do PT, e Fábio Mitidieri avançaram para o segundo turno. Naquela fase, Valmir declarou apoio a Rogério, mas a união política das duas forças não foi suficiente para impedir a vitória de Fábio.
É necessário fazer uma ressalva: afirmar que Fábio “venceu Rogério e Valmir juntos” funciona como interpretação política, mas não como soma matemática de votos. O apoio de uma liderança não representa a transferência automática de todo o seu eleitorado.
Ainda assim, a vitória teve um peso político expressivo. Fábio começou a campanha atrás dos principais adversários, chegou ao segundo turno e derrotou o candidato do PT, que passou a contar com o apoio de Valmir.
A inversão do cenário eleitoral
Em 2022, Valmir disputava contra um candidato que ainda precisava apresentar seu projeto à maior parte do eleitorado. Agora, enfrenta um governador conhecido, com mandato, programas, obras e resultados para mostrar.
Fábio deixou de ser o terceiro colocado que buscava crescer durante a campanha e passou a ser o candidato à reeleição que aparece à frente em vários dos principais levantamentos.
A Quaest divulgada em agosto mostrou Fábio com 40%, contra 28% de Valmir. Em uma simulação de segundo turno, o governador apareceu com 47%, diante de 34% do adversário.
O Instituto França apresentou Mitidieri com 42,41%, enquanto Valmir apareceu com 27,07%. Outros levantamentos, como os realizados pela Veritá e pelo Real Time Big Data, também colocaram o governador na dianteira.
Isso demonstra uma mudança importante: Valmir já não possui a mesma hegemonia apresentada nas pesquisas de 2022. Fábio, por sua vez, deixou a condição de azarão e passou a ocupar a liderança em parte relevante dos levantamentos.
Pesquisa do INOR mostra que a disputa continua aberta
A análise, contudo, não pode ignorar os números que contrariam essa tendência. Levantamento recente do INOR colocou Valmir com 44,67% e Fábio com 37,29%, uma vantagem de 7,38 pontos percentuais para o candidato do Republicanos.
Esse resultado confirma que a eleição permanece competitiva e recomenda cautela diante de qualquer previsão definitiva.
O correto não é dizer que todas as pesquisas apontam uma nova derrota de Valmir. Os levantamentos apresentam divergências, embora a maioria deles indiquem uma posição de Fábio muito superior à que ele ocupava no começo da campanha de 2022.
Pesquisa não é resultado de eleição. É um retrato produzido de acordo com a metodologia, o período da coleta e o universo de entrevistados de cada instituto. O julgamento definitivo continuará pertencendo às urnas.
Fábio tem um governo para apresentar
A principal diferença entre os dois momentos está na condição política de Fábio Mitidieri. Em 2022, ele apresentava promessas. Em 2026, precisa ser avaliado pelo que realizou.
Na saúde, o Opera Sergipe ampliou a realização de procedimentos cirúrgicos e reduziu o tempo de espera de pacientes. O programa transformou-se em uma das principais vitrines da administração estadual.
Também existem ações e investimentos nas áreas de infraestrutura, educação, cultura e turismo. Essas entregas ajudam a explicar por que o governador aparece competitivo e lidera levantamentos importantes, mesmo enfrentando um adversário com forte base popular.
Isso não significa que todas as demandas tenham sido atendidas nem que a administração esteja livre de problemas. Nenhum governo pode reivindicar unanimidade. A oposição tem o direito e o dever de questionar resultados, apontar falhas e apresentar alternativas.
Entretanto, Valmir agora enfrenta uma dificuldade maior para sustentar o discurso oposicionista: não disputa apenas contra um agrupamento político, mas contra uma gestão que possui programas, obras e índices de aprovação para apresentar ao eleitor.
Rogério Carvalho e o PT agora estão no palanque de Fábio
Outra mudança decisiva está na posição assumida pelo Partido dos Trabalhadores.
Em 2022, o PT apresentou candidatura própria ao Governo de Sergipe. Rogério Carvalho venceu oficialmente o primeiro turno, avançou à etapa final e foi o adversário derrotado por Fábio Mitidieri.
Quatro anos depois, os dois estão no mesmo palanque.
Rogério disputa a reeleição para o Senado e integra a coligação liderada pelo governador. O PT, que anteriormente enfrentou Fábio, agora apoia sua permanência no comando do Estado.
A composição foi oficializada depois de uma articulação da qual participou diretamente o presidente Lula, interessado na construção de um palanque forte para sua própria campanha em Sergipe.
Em suas aparições durante a campanha, Rogério demonstra não enxergar qualquer contradição em apoiar o adversário que o derrotou. Pelo contrário: o senador reconhece os resultados e a boa avaliação da gestão estadual como elementos que tornaram possível a aproximação.
Não se trata apenas de uma aliança determinada pelas conveniências da eleição presidencial. Ao apoiar Fábio, Rogério também oferece um testemunho político relevante sobre o governo, pois foi justamente ele quem esteve do outro lado na disputa de 2022.
Se até o antigo adversário reconhece avanços administrativos e considera legítimo apoiar a reeleição do governador, Fábio ganha um argumento importante para dialogar com o eleitorado petista e com setores que permaneceram divididos desde a última eleição.
A mudança também demonstra maturidade política. Disputar uma eleição não obriga dois adversários a permanecerem inimigos para sempre. Quando existe convergência programática, avaliação positiva da gestão e um projeto eleitoral em comum, alianças antes improváveis podem ser construídas.
Jeferson Andrade reforça a chapa governista
Fábio Mitidieri disputa a reeleição tendo como candidato a vice-governador o deputado estadual Jeferson Andrade, atual presidente da Assembleia Legislativa de Sergipe.
A presença de Jeferson agrega experiência parlamentar e capacidade de articulação política à chapa. Como presidente da Assembleia, ele possui interlocução com deputados, prefeitos e lideranças municipais.
A composição formada por Fábio Mitidieri e Jeferson Andrade, somada ao apoio de Lula, Rogério Carvalho e do PT, oferece ao governador um palanque ainda mais amplo do que aquele que o levou à vitória em 2022.
Fábio não ganhou apenas novos aliados. Ele trouxe para o seu lado o partido e o candidato que enfrentou no segundo turno da eleição passada. Isso representa um avanço político de grande importância para a disputa de 2026.
Antigos aliados mudaram de lado
Também houve movimentação em direção ao palanque adversário.
O ex-governador Belivaldo Chagas, que apoiou Fábio em 2022, agora está ligado à chapa de Valmir. Sua filha, Priscila Felizola, é candidata a vice-governadora pelo Republicanos.
O deputado federal Thiago de Joaldo, outro nome que já esteve no campo governista, tornou-se um importante articulador da oposição. A prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, igualmente representa uma força relevante no grupo de Valmir.
A oposição, portanto, não é pequena. Valmir conta com a força política de Itabaiana, com a administração da capital e com aliados espalhados por diferentes municípios. Mesmo assim, em diversos levantamentos, ainda não conseguiu reproduzir a dianteira que marcou sua campanha anterior.
Há nisso uma ironia política: lideranças que participaram do grupo responsável pela eleição de Fábio e que destacavam sua capacidade administrativa agora tentam derrotá-lo justamente depois de o governador consolidar parte daquela expectativa positiva.
Uma eleição aberta, mas com Fábio mais forte
Valmir de Francisquinho continua sendo um candidato forte, popular e eleitoralmente competitivo. Subestimá-lo seria um erro. A pesquisa do INOR comprova que ele permanece capaz de liderar cenários.
Mas também não é possível ignorar a transformação ocorrida desde 2022.
Há quatro anos, Valmir liderava e Fábio corria atrás. Agora, Fábio aparece na frente na maioria dos levantamentos, apresenta os resultados do governo e conta com o apoio de Rogério Carvalho e do PT, justamente seus adversários na eleição passada.
A adesão de Rogério tem valor simbólico e eleitoral. Simbólico porque reúne antigos adversários; eleitoral porque aproxima do governador uma parcela do eleitorado petista que esteve contra ele no segundo turno de 2022.
O resultado somente será conhecido depois da apuração. Até lá, pesquisas devem ser tratadas como retratos, não como sentenças.
A conclusão possível neste momento é clara: Fábio Mitidieri chega à eleição de 2026 muito mais forte do que chegou em 2022. Além de possuir um governo para apresentar, ampliou sua aliança, escolheu Jeferson Andrade para a vice e trouxe para o seu palanque Rogério Carvalho, o PT e o apoio político do presidente Lula.
Valmir reúne uma oposição forte, mas enfrenta hoje um adversário testado no cargo, fortalecido eleitoralmente e cercado por uma composição política muito mais ampla.
Se essa vantagem será confirmada ou revertida, somente o eleitor sergipano poderá responder.
Por Reginaldo Santos — Opinião | RS NOTÍCIA


