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OPINIÃO | Zezinho cresceu em Sergipe, mas em Laranjeiras o eleitor fez outra escolha

O que explica a queda de Zezinho e a força de Antônio Bala em Laranjeiras

A declaração de Zezinho Sobral sobre o resultado eleitoral em Laranjeiras voltou ao debate na Câmara Municipal na sessão de terça-feira, 3 de novembro. Após manifestações de vereadores como Adriano Carvalho e Juliano Soares, Mônica Sobral tentou fazer um contraponto às críticas dirigidas ao irmão, vice-governador e deputado estadual eleito.

O ponto, entretanto, permanece: ao ser questionado no programa Sergipe Verdade sobre a votação superior de Antônio Bala no município, Zezinho mencionou o “estilo” de campanha de Juca, mas não explicou objetivamente o que pretendia dizer.

Ao falar de si, destacou entregas e atendimento à população. Sobre Juca, deixou a explicação para o próprio prefeito. Ora, se foi Zezinho quem introduziu a comparação, cabia a ele esclarecer seu significado.

Na minha leitura, a resposta transmitiu incômodo com o resultado local. Mas havia uma explicação política mais consistente a apresentar, sem deixar no ar uma referência que pudesse depreciar a vitória do concorrente.

Os números mostram dois movimentos diferentes

Em 2018, Zezinho recebeu 25.764 votos em Sergipe. Em 2026, alcançou 44.155, crescimento de 18.391 votos, ou 71,4%.

Em Laranjeiras, aconteceu o contrário: passou de 3.794 votos para 2.264. Foram 1.530 votos a menos, queda de 40,3%. Antônio Bala, por sua vez, conquistou 7.974 votos no município, uma vantagem de 5.710 votos.

O crescimento estadual de Zezinho merece reconhecimento. Sua atuação como vice-governador, a passagem pela Secretaria da Educação, as alianças construídas e a participação nas entregas do governo Fábio Mitidieri ajudam, na minha avaliação, a compreender esse avanço.

Há mérito de Zezinho nesse trabalho, assim como há mérito do governador. Reconhecer isso é uma questão de coerência. A mesma coerência, porém, precisa valer para a liderança de Juca e para a votação de Antônio Bala.

Em 2018, Juca estava fora da prefeitura, sem mandato, depois de ter governado entre 2013 e 2016. O candidato que apoiava naquela eleição não era seu filho nem reunia a identificação local apresentada por Antônio Bala.

Em 2026, Juca chegou em outro patamar político. Depois das vitórias municipais de 2020 e 2024, acumulou entregas, consolidou seu grupo e fortaleceu a proximidade com a população. Na minha avaliação, disputou essa eleição em um dos momentos de maior força de sua liderança.

A escolha de Antônio Bala encontrou esse ambiente favorável. O apoio do pai se somou à receptividade do próprio candidato, que apresentou uma campanha leve, próxima do eleitor e com discurso propositivo.

Minha interpretação é que essa candidatura correspondeu a uma expectativa importante dos laranjeirenses: ter um deputado estadual próximo da cidade e alinhado com o prefeito para defender demandas, buscar recursos e ampliar as possibilidades de atendimento junto ao Governo do Estado e à Assembleia Legislativa.

Os quase oito mil votos demonstram a dimensão da confiança depositada em Antônio. Não se trata de atribuir uma única motivação a todos os eleitores, mas de reconhecer a força política de uma proposta que encontrou ampla aceitação.

Zezinho encontrou, portanto, um concorrente muito forte dentro do município. Essa é, a meu ver, uma explicação mais convincente para sua queda local do que uma referência imprecisa ao “estilo” de Juca.

E é preciso registrar: Zezinho foi o segundo candidato a deputado estadual mais votado em Laranjeiras. Manteve apoio relevante. Não superou Antônio Bala, mas isso não apaga sua votação nem sua vitória em Sergipe.

Assim como o eleitor estadual reconheceu sua trajetória e ampliou sua votação, o eleitor de Laranjeiras deu uma preferência expressiva a Antônio. As duas escolhas merecem o mesmo respeito.

Ao destacar o resultado do concorrente por meio de uma expressão sem esclarecimento, Zezinho abriu espaço para uma leitura depreciativa que poderia ter evitado. Bastaria reconhecer que Juca estava fortalecido e que Antônio conseguiu transformar identificação, apoio político e proposta de atuação em votos.

Também considero que uma presença parlamentar mais próxima da administração municipal, voltada ao atendimento das necessidades da população, poderia ter fortalecido a relação de Zezinho com Laranjeiras. Essa aproximação pode acontecer agora.

Para o mandato de 2027 a 2030, a expectativa é que coloque sua experiência e sua capacidade de articulação à disposição da cidade, independentemente das diferenças com o prefeito. Ajudar Laranjeiras é atender também aos cidadãos que escolheram outros candidatos.

Antônio Bala recebeu uma confiança expressiva e terá a responsabilidade de correspondê-la. Zezinho também poderá contribuir. O município ganha quando seus representantes transformam votação em trabalho e mantêm as portas abertas às demandas da população.

Na Câmara, foi pertinente a cobrança de Adriano Carvalho por um código de ética e pela atualização do regimento interno, buscando mais respeito nos debates. Também merecem encaminhamento as pautas que apresentou sobre transporte municipal, espaço nos cemitérios e prevenção dos impactos das mudanças climáticas.

É nessa direção que o debate político pode produzir resultados: respeitando a escolha do eleitor e trabalhando para atender às suas necessidades.

Também merece atenção a cobrança de Adriano Carvalho, já manifestada por Juliano Soares, pela criação de um código de ética ou atualização do regimento interno para assegurar mais respeito nos debates.

Na quinta-feira, ao contestar essa reivindicação, Mônica Sobral empregou expressões que, na minha avaliação, reforçam a necessidade apontada pelos colegas. A referência a “moleques” e a afirmação de que vereadores se “ajoelham” ao prefeito desqualificam os parlamentares e pouco contribuem para discutir suas posições.

Apoiar a gestão é uma posição legítima, assim como fiscalizar, criticar e cobrar é parte do papel da oposição. Nenhuma dessas escolhas, por si só, diminui a capacidade ou a independência de um vereador.

A própria aprovação de um projeto de Mônica naquela semana, com apoio da bancada governista, demonstra que diferenças políticas podem conviver com o reconhecimento de propostas. Esse respeito precisa ser recíproco: todos os vereadores são importantes, inclusive ela, e devem ser avaliados pelo trabalho que realizam.

É pertinente, portanto, a defesa de regras que preservem a liberdade de expressão e a dignidade de todos. Assim como merecem encaminhamento as pautas levantadas por Adriano sobre transporte municipal, espaço nos cemitérios e prevenção dos impactos das mudanças climáticas. São demandas que aproximam a Câmara das necessidades da população.

Por Reginaldo Santos — Opinião | RS NOTÍCIA

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