OPINIÃO | A força das mulheres com Antônio Bala, a disputa pelas obras de Laranjeiras e a escolha de Chiozinho
NESTA EDIÇÃO: a caminhada que marcou a campanha de Antônio Bala; a narrativa de Zezinho Sobral sobre as obras do Estado; a reação do prefeito Juca e a postura de Antônio; e os motivos que levaram Chiozinho a deixar a secretaria para apoiar Fábio Henrique.
OPINIÃO I – As mulheres dão força à caminhada de Antônio Bala

A caminhada de sábado em Laranjeiras deixou uma imagem forte da campanha de Antônio Bala: mulheres ocupando as ruas com alegria, participando e conversando com quem acompanhava a passagem do grupo das portas de casa. Foi, na minha avaliação, uma das mobilizações mais bonitas já realizadas em apoio à sua candidatura no município.
A primeira-dama de Laranjeiras, Jussimara Leite esteve à frente da mobilização ao lado da primeira-dama de Sergipe, Érica Mitidieri, e de outras lideranças femininas. Antônio caminhou com simplicidade, acompanhado também por sua mãe, Anarlene Gama. A felicidade dela com a participação do filho naquele momento era visível.
Érica discursou no encerramento e pediu votos para Antônio Bala e para o governador Fábio Mitidieri. O candidato a deputado federal Marcos Franco, apoiado pelo grupo do prefeito Juca de Bala, também participou. Vereadores, suas esposas e grupos de apoiadoras contribuíram para a presença das mulheres ao longo do percurso.
O encontro começou à tarde e terminou à noite, na praça em frente à Igreja Matriz, com falas e agradecimentos. Fotos e vídeos já mostraram a dimensão do evento nas redes sociais e no RS NOTÍCIA. O que merece registro nesta página de opinião é a impressão deixada por quem esteve nas ruas: a participação animada das laranjeirenses deu novo impulso à campanha de Antônio Bala e fez daquele sábado um momento marcante em Laranjeiras.
OPINIÃO II – Quem faz as obras em Laranjeiras?

“Quem faz é Zezinho Sobral.” A frase usada pelo vice-governador em suas mobilizações por Laranjeiras merece uma pergunta: o que foi realizado por iniciativa dele e o que é ação do Governo de Sergipe, muitas vezes em parceria com a Prefeitura?
É legítimo que Zezinho percorra o município em busca de votos para deputado estadual. Reconheço sua contribuição à gestão estadual e avalio positivamente sua passagem pela Secretaria de Educação e sua atuação como vice-governador. Mas representar o governador em uma solenidade ou participar de uma entrega não transforma uma obra pública em realização pessoal.
A creche em construção na área do CAIC ilustra essa diferença. Laranjeiras foi incluída em um programa de creches desenvolvido pelo Estado em vários municípios. A unidade, realizada em parceria com a Prefeitura, está em fase de conclusão e tem previsão de atender aproximadamente 300 crianças. Quando Zezinho diz “estamos entregando”, compreendo: ele integra o governo estadual. O que considero forçado é apresentar a creche como iniciativa pessoal. A obra é do Governo de Sergipe em parceria com o município.
O mesmo critério deve valer para outras ações estaduais em Laranjeiras. Zezinho pode ter contribuído para elas, e seu mérito deve ser reconhecido onde couber. Também é preciso reconhecer a participação do governo Fábio Mitidieri e, nas iniciativas construídas com o município, da gestão do prefeito Juca de Bala. Não há necessidade de reivindicar sozinho o que resulta de uma ação conjunta.
O eleitor tem, ainda, o direito de examinar o período em que Zezinho já foi deputado estadual, inclusive quando exerceu a liderança do governo Belivaldo Chagas na Assembleia. Na minha avaliação, ele fez muito pouco por Laranjeiras diante da influência e das condições que tinha. Não digo que nada tenha feito. Questiono se sua atuação naquele mandato correspondeu ao apoio que recebeu da cidade.
Hoje, o eleitor cobra que um parlamentar trabalhe pelo município independentemente de quem esteja à frente da prefeitura ou de qual grupo político o apoie. O voto recebido cria uma responsabilidade com a população, não apenas com aliados. Recursos para escolas, serviços e obras beneficiam todos os moradores.
Torço para que Zezinho seja eleito e, caso volte à Assembleia, tenha uma atuação diferente da que avalio ter tido no mandato anterior. Que use sua experiência para ajudar Laranjeiras, dialogar com a administração municipal e buscar recursos. A possível eleição de Antônio Bala também ampliará a expectativa de resultados e permitirá ao eleitor acompanhar a atuação de ambos.
Mais do que repetir “quem faz”, será hora de mostrar, com iniciativas concretas, o que cada deputado fará por Laranjeiras.
OPINIÃO III – A reação de Juca e o caminho escolhido por Antônio Bala

A frase “quem faz é Zezinho Sobral” não passou sem resposta em Laranjeiras. O prefeito Juca de Bala contesta a forma como o vice-governador apresenta obras e ações do Governo de Sergipe realizadas no município. Para Juca, Zezinho pega carona em projetos que resultam de reivindicações da Prefeitura e de parcerias com o Estado. Daí a expressão dura usada pelo prefeito: “político caroneiro”.
A crítica não significa desconhecer a trajetória de Zezinho. Juca reconhece sua capacidade como integrante de diferentes governos estaduais e sua atuação na atual gestão. Em 2022, o grupo do prefeito apoiou a chapa de Fábio Mitidieri, da qual Zezinho era candidato a vice-governador. O ponto de discordância é outro: a quem cabe o mérito por cada iniciativa e como Zezinho atuou por Laranjeiras quando era deputado estadual.
Na avaliação de Juca, Zezinho poderia ter feito muito mais pelo município naquele mandato, sobretudo por ter exercido a liderança do governo Belivaldo Chagas na Assembleia Legislativa. O prefeito entende que as divergências políticas entre os dois não deveriam ter limitado a ajuda à cidade. É uma cobrança pertinente: um parlamentar deve trabalhar pela população também quando o prefeito pertence a outro grupo.
Enquanto Juca faz esse enfrentamento, Antônio Bala segue por outro caminho na campanha. Embora dispute votos para deputado estadual no mesmo município, ele não tem centrado sua atuação em responder às declarações de Zezinho. Sua atenção está voltada às visitas, às conversas com moradores e lideranças e às necessidades que encontra em Laranjeiras e em outras cidades sergipanas.
Na minha avaliação, Antônio acerta ao ouvir antes de prometer. Primeiro, precisa conquistar o mandato. Se for eleito, terá então a responsabilidade de transformar as demandas que recolhe em propostas, cobranças ao Governo do Estado e resultados que beneficiem toda a população, inclusive quem não votou nele.
A disputa por votos é natural. A cobrança que ficará depois dela é mais importante: qual contribuição concreta cada candidato será capaz de entregar a Laranjeiras como deputado estadual?
OPINIÃO IV – Chiozinho explica sua escolha; Mônica Sobral deveria ter apurado antes de falar

A saída do ex-vereador Edvaldo Santana, o Chiozinho do Restaurante, da Secretaria Municipal da Juventude, Desporto e Lazer provocou comentários em Laranjeiras. Ele entregou o cargo para apoiar Fábio Henrique na disputa por uma vaga de deputado estadual, enquanto o grupo do prefeito Juca de Bala apoia Antônio Bala para o mesmo cargo.
Em entrevista a uma rádio local, Fábio Henrique resumiu a decisão de Chiozinho em duas palavras: coragem e lealdade. Coragem para deixar a secretaria, onde vinha trabalhando ao lado de Maurina Cruz, e lealdade a uma parceria política que, segundo o candidato, atravessa várias eleições.
Conversei também com Chiozinho. Ele me explicou que esperava a candidatura de Fábio Henrique a deputado federal. Nesse cenário, pretendia pedir a liberação do prefeito para apoiar Fábio e, ao mesmo tempo, acompanhar o candidato a deputado estadual do grupo de Juca. Quando Fábio decidiu disputar uma vaga estadual, Chiozinho se viu diante de uma escolha entre duas candidaturas ao mesmo cargo. Optou por manter o apoio ao parceiro de longa data e entregou a secretaria.
Essa explicação é bem diferente da que foi especulada pela vereadora Mônica Sobral, irmã de Zezinho Sobral. Ao comentar o episódio na tribunada Câmara, ela associou a saída de Chiozinho a uma suposta insatisfação com a administração municipal e com o tratamento que recebia. Não foi esse o motivo apresentado por Fábio Henrique na entrevista, nem o que Chiozinho relatou a mim.
A vereadora tem todo o direito de criticar a gestão de Juca. Mas, antes de apontar o motivo de uma decisão pessoal e política, deveria ouvir quem a tomou. Apurar antes de afirmar é um cuidado indispensável para qualquer pessoa que usa a tribuna da Câmara. Na minha avaliação, Mônica fez uma interpretação precipitada e transformou uma escolha de lealdade política em crítica ao prefeito sem apresentar a versão de Chiozinho.
Gostei da forma como Fábio Henrique tratou o assunto: agradeceu o apoio e explicou a decisão sem desqualificar ninguém. Também respeito a atitude de Chiozinho. Pode haver opiniões diferentes sobre sua escolha, mas ele a assumiu e aceitou sua consequência imediata, que foi deixar o cargo. É por esse gesto e pela explicação que deu que sua decisão deve ser respeitada e avaliada.
CONCLUSÃO:
A política de Laranjeiras segue movimentada, e esta edição mostra como uma caminhada, a disputa pelo reconhecimento de obras e uma escolha de apoio podem revelar diferentes formas de fazer política. Seguirei atento aos fatos, ouvindo os envolvidos e trazendo minha avaliação com clareza. Na próxima edição de Opinião com Reginaldo Santos, voltaremos a conversar sobre os novos capítulos dessa disputa e sobre o que eles significam para Laranjeiras.
Por Reginaldo Santos — Opinião | RS NOTÍCIA


